26 de agosto de 2011

RESPOSTA A UM COMENTÁRIO


OI ROSÉLIA TUDO BEM?
EU TENTEI VÁRIAS VEZES POSTAR UMA RESPOSTA QUE ELABOREI SOBRE O POST: DIGA NÃO A JAIR BOLSONARO. PORÉM INFELIZMENTE EU NÃO CONSEGUI POSTAR. VC SABE ME DIZER SE ESTÁ ACONTECENDO ALGUM PROBLEMA ???

Então a única opção que tive foi manda minha resposta para o email do blog. Gostaria muito que vc respondesse.
Obrigado e bom serviço.

a resposta segue abaixo:

Rosélia aqui é o Cristiano novamente. Confesso que fiquei surpreso ao ver que vc publicou o meu comentário enquanto muitos outros donos de blogs se recusaram a discutir o assunto. Isto prova que vc é uma pessoa que assim como o filosofo alemão Hagel acredita que apenas através do conflito de idéias que pode-se chegar a uma síntese. Pois bem, antes de falar qualquer coisa gostaria de deixar claro que em nenhum momento do meu texto eu sitei "PONTO DE VISTA" este foi um termo utilizado pela senhora e eu quero salientar que tudo em que acredito tem respaldo histórico! Logo, eu não sou "filósofo de boteco"  que sempre tem uma opinião ou um "eu acho" p/ tudo!! Durante todo o meu texto eu deixei claro no que ACREDITO COM CONVICÇÃO. Convicção esta que foi adquirida através de muito estudo e após muitos anos de caserna. Lhe parabenizo pela sua forma de contestar os meus argumentos quanto ao Regime Militar de 64. Em sua resposta a senhora afirma que os militares utilizaram um pretexto de "ameaça comunista". Pois bem, eu lhe afirmo que esta ameaça realmente existia! Para se comprovar tal fato basta observar o cenário político mundial da época! A URSS estava no auge do seu apogeu, Cuba acabara de cair nas mãos de Fidel e Che Guevara saiu pelo mundo para lutar pelos ideais cumunosocialistas. Rosélia naquela época o Brasil entregou a Ché Guevara a principal Medalha de Honra e Bravura do país, a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul!!! Isto é um fato historicamente comprovado. Minha querida (quando digo querida falo sem nenhuma gota de sarcasmo) a ameaça comunista no Brasil era real, e se não fosse os militares o nosso Brasil hoje jamais saberia o significado da palavra Democracia. Sei que um Regime Militar é algo extremo, porém era a única opção a ser tomada. Agora eu lhe faço uma pergunta, a senhora consegue me dizer o nome de algum país que tenha saído de um um Regime que dizem ter sido "sangrento e arbitrário" da mesma maneira que aconteceu aqui?? Figueiredo simplesmente entregou o poder de volta para os civis!!! Isto foi algo único na história mundial!!! Não existia vontade do Exercito em realmente permanecer no poder, pois se o Regime possuí-se tanto despotismos como afirma muitos "perseguidos" da época, como o poder voltou a mão do povo sem que fosse preciso uma verdadeira revolução como nos dias de hoje acontece na Líbia e na Síria? Pq esta conversa que os militares cederam a pressão é papo para boi dormir! Pressão suficiente para acabar com uma "Ditadura" é feita APENAS através de uma REVOLUÇÃO, e quando falo revolução, saiba que é no sentido mais "sangrento" da palavra. Logo eu ACREDITO COM CONVICÇÃO que os militares de 64 são verdadeiros heróis não reconhecidos. Não reconhecidos pois o nosso povo não gosta de ter heróis, a maioria dos Brasileiros não sabem quem foi Marechal Caxias, e acreditam que Fernão Dias é apenas o nome de uma rodovia interestadual brasileira. Ao se falar de guerra o brasileiro apenas vira o rosto. Mas durante as décadas de 50, 60, 70, e 80 o nosso país viveu uma verdadeira guerra contra os comunistas, guerra esta que só foi vencida por causa do Regime Militar!!! Cara Rosélia, espero sinceramente ter colocado um pouco de dúvida a sua visão. Porém caso não tenha... quero que saiba que o atual governo federal está lutando para aprovar uma comissão parlamentar que pretende revirar os arquivos da época do Regime, esta comissão é intitulada "pela memória e a verdade". Pois bem, eu te garanto que no dia que estes arquivos forem abertos vc terá pleno conhecimento da magnitude da batalha contra travada contra os vermelhos e saberá o quando esta "Guerra Fria" foi bem quente aqui no Brasil. O NOSSO REGIME DEMOCRÁTICO É FRUTO DO REGIME DE 64 E O NOSSO CÓDIGO CIVIL FOI ESCRITO POR MIGUEL REALE A PEDIDO DO GOVERNO DOS MILITARES! Durante o Regime Militar o Brasil saiu de 45ª para 8ª economia mundial! Cravando a melhor desenvolvimento da história da nação. Abusos durante a guerra sempre existem, porém o povo brasileiro tem uma dívida eterna de gratidão com os militares, pena que assim como outros heróis estes tmb são injustiçados. 
Quanto ao caso do Bolsonaro quero apenas reafirmar a minha visão e dizer que não odeio os homossexuais e não sou homofóbico. Apenas acredito com convicção irrefutável que a família deve ser defendida até o fim, e que esta apenas pode existir através da conjunção carnal. Logo, não sou a favor de passeatas gays, pois estas  podem acabar influenciando a mente de pessoas que ainda não tem uma postura de vida definida. Novamente agradeço pelo espaço, e que lhe parabenizar Rosélia por vc ser uma pessoa que preconiza a discussão filosófica em detrimento da retórica simples e superficial do politicamente correto. Um grande abraço.


Caro Cristiano,

Comecei meu comentário exatamente assim:
Diferentemente da Filosofia, na História não se admite ponto de vista: admite-se o fato, o acontecimento histórico que é o fato revestido de sua importância e de seus reflexos na sociedade.
A História não costuma conceituar termos. Ela limita-se a narrar/contar os fatos, na esperança de que o homem do futuro possa melhor compreender o passado de sua espécie, de seu povo, de sua nação, de seu país.
Entretanto, no campo da Política [e não em meu ponto de vista], o termo ditadura é utilizado para designar os regimes não-democráticos ou antidemocráticos, caracterizados pela ausência da participação popular ou por uma participação restrita [...].

Em momento algum citei que o nobre Capitão estaria usando ponto de vista. Apenas citei o que a História não o admite. Acredito, como Georg Wilhelm Friedrich Hegel (e não Hagel), que somente se resolve conflitos com trocas de idéias. Contudo, esse entendimento não foi adquirido em "butecos". Mas sim, ao longo da vida, superando dificuldades, convivendo com pessoas de diferentes tipos e convicções, e, através de longas horas de leituras em livros escritos "por pequenos gigantes" a exemplo de Paul Satre, Voltaire, Engels e outros. Foram leituras como essas que proporcionaram-me o entendimento de que devo aceitar e saber conviver com toda e qualquer diferença.
Seguindo os ensinamentos de Mandela, aprendi que o preconceito só deve ser lembrado para que o homem possa realmente entender a dimensão de não o fazer. Estas são as minhas convicções.
Num banco de uma Escola Pública do interior da Paraíba, aprendi que toda forma de opressão armada contra o cidadão, configura-se numa afronta à dignidade da pessoa humana, sendo, portanto, uma afronta aos direitos humanos.
Relembrando o movimento armado de 1964, este é um fato que não se pode negar. Se o Brasil vivia uma "Ameaça Comunista", pelo fato do governo brasileiro ter condecorado  Che Guevara, utilizar-se da força armada para retirar do povo o direito de escolher seus representantes, não só é uma afronta a todos os princípios da democracia como também um grave atentado aos direitos humanos. E isso fez os militares.
É oportuno lembrar que o conceito de Democracia possui mais de dois mil anos. Ele foi cunhado por Sólon na Grécia antiga e representa o governo do povo para o povo e pelo povo. Desta forma, o que sempre repudiei e que continuarei repudiando é a violência como o governo de 1964 foi instalado no Brasil. O Excesso de prisões, o excesso de espancamentos, o excesso de torturas, o excesso de atos institucionais visando a pseudo instalação da ordem pública. É isso o que eu repudio com convicção de cidadã brasileira. E espero, que nunca mais o Brasil viva novamente aquela noite triste de 31 de março de 1964.
A história é a memória do tempo. O Brasil é um país diferente em vários sentidos. Ele possui particularidades que somente são suas e que pertencem ao seu povo. Por isso, a sua historia, as razões que ensejaram os seus momentos históricos jamais poderão ser comparadas com a Rússia, o Egito, Cuba, Síria ou Líbia, como assim fez o senhor, nobre Capitão.
É oportuno também relembrar que no Brasil tudo é diferente. Em 1822, acabamos com uma submissão de mais de três séculos em relação a Portugal, sem, contudo, derramar uma única gota de sangue: Bastou apenas um grito! No entanto, a mesma sorte não tiveram as colônias espanholas na América do sul.
Em 1888, acabamos com 388 anos de escravidão com apenas à assinatura de uma Lei. Diferentemente ocorreu nos Estados Unidos. Lá foi necessário que o Norte e o Sul travassem a maior guerra registrada na historia daquele país.
E em 1889 o Brasil deu adeus à monarquia e tornou-se república sem também promover uma guerra interna. Mas, o mesmo não aconteceu com a Espanha, com a Itália ou com a França. Nesses países, rios de sangue correram, mostrando assim, que as convicções políticas possuíam valor superior ao dado à vida humana.
Permita-me nobre Capitão Cristiano relembrar mais um outro fato da história do Brasil, para que o senhor tenha a certeza de que somos um povo diferente. O mais sangrento movimento registrado na história do Brasil foi a Revolução de 1930. No entanto, o número de vítimas daquele episódio histórico é hoje superado pelo número de vitimas no trânsito, registrado no estado de São Paulo em um ou dois dias.
Antes, porém, de lhe responder se tenho conhecimento da existência de algum país que tenha saído de um regime para outro sem derramamento de sangue, permita-me relembrar como foi instalado o golpe do Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Naquela época, o Brasil vivia um período de constitucionalização, iniciado em meados de 1934. Para instalar o Estado Novo foi simples: Bastou Vargas fechar o congresso, destituir todos os governadores e prefeitos, fechar todas as assembléias e câmaras municipais. Não se disparou um só tiro, capitão.
E em 1964, como foi, o senhor se lembra?? Certamente o senhor estava lá e deve se lembrar: O exercito cercou o congresso, empastelou jornais, tirou as emissoras de rádio do ar, telégrafos e telefones. Colocou tanques na rua e em cada esquina "um patriota armado", aterrorizando a população e distribuindo panfletos com mensagens de intimidação. O senhor lembra?
Após aterrorizar o povo, começou a caça às bruxas. Intelectuais, ativistas, políticos da oposição e todo e qualquer cidadão que publicamente manifestou-se contrário ao arbitrarismo promovido pelos militares, foram presos. O senhor lembra?
Quando falo do regime militar não estou fazendo ficção. Possuo em casa inúmeros recortes de jornais e uma Biblioteca de mais de três mil livros, que contam a história do Brasil. E quando comparo as minhas colocações com às suas, pergunto-me: será que todas essas fontes de pesquisas estão erradas? Será que militares bonzinhos governaram esse país e hoje são injustiçados??
Por acaso o nobre Cristiano sabe dizer em que circunstancias morreu Castelo Branco? Existem boatos históricos de que ele foi vítima de uma conspiração, fato típico da sede pelo poder, ou melhor, uma outra vítima do regime militar do qual foi o primeiro presidente.
O que sei, Cristiano, é que durante o governo militar, o Brasil viveu a era do milagre econômico. No entanto, os militares detentores do poder e produtores de senadores e governadores biônicos, não souberam aproveitar o momento econômico propício. E, por não terem as mentes abertas para o novo, por serem indivíduos preparados para seguir um só caminho, não foram capazes de transformarem aquele momento econômico em algo duradouro, inserindo, assim, o Brasil entre as grandes potências econômicas do mundo.
O que é certo é que a incompetência do governo militar na área econômica fez com que o Brasil mergulhasse na maior crise econômica registrada em sua historia e, Figueiredo entregou o governo de volta aos civis em 1985 por uma única razão: foi humilde demais e reconheceu que com os militares o país seria incapaz de sair do fundo do poço.
A herança mais significativa deixado pelo governo militar, senhor Cristiano, foi uma inflação de 80% ao mês, que obrigou o governo Sarney a adotar várias medidas econômicas logo em seu primeiro ano de governo.
Os militares preocuparam-se tanto em caçar comunistas que esqueceram de se modernizar, de ampliar e crescer as próprias forças armadas. Prova disso é que em 1980 o efetivo militar e o poder bélico da vizinha Argentina era superior ao apresentado pelas forças brasileiras. Sorte nossa é que ela primeiro resolveu invadir as Malvinas.
Ainda a título de esclarecimento quero dizer que em momento algum o regime de 1964 determinou que o senhor Miguel Reale elaborasse o nosso antigo Código Civil. Ele, na verdade, foi instituído pela Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916. E, foi fruto do trabalho de um grupo de juristas, quando Reale ainda era uma criança com apenas 06 anos de idade.
Querido Cristiano (sem sarcasmo), na infância, aprendi na escola a respeitar Negros: Não me tornei negra. Aprendi a respeitar Índios: Não me tornei índia. Hoje respeito os homossexuais e, sinceramente, tenho certeza que não vou virar gay.
Mas, como afirmei anteriormente, senhor Cristiano, o Brasil é um país diferente, tão diferente que acolhe em seu seio as mais variadas tendências e pessoas.
Se fossemos separarmos as tendências e as pessoas, o estado brasileiro não existiria porque como bem ensina o professor Paulo Bonavides, em seu livro Teoria Geral do Estado, "não existe estado sem povo".
Assim, se fossemos separar as pessoas por tendências não teríamos um povo, não seríamos uma nação, não teríamos valores, não teríamos princípios. Por isto, senhor capitão Cristiano, eu não tenho tendência, eu não separo pessoas por tendências, por paixões políticas ou religiosas, por vocações ou por opções sexuais.
Eu escrevo para o povo brasileiro, que é formado por índios, negros, brancos, amarelos, católicos, protestantes, islâmicos, judeus, homossexuais heterossexuais, cultos, leigos, sonhadores, bem como aqueles que buscam orientações e em alguns momentos, até ajuda.
É para esse povo que escrevo, sem paixões, sem aticismo, sem silogismo e sem preconceito. Como cidadã, como conhecedora do direito e dos princípios constitucionais, reafirmo e continuarei reafirmando que a principal função do homem público é respeitar o povo, a nação que o elegeu.
E, senhor Cristiano, para se respeitar o povo é preciso aceitar as diferenças, é preciso ver que nem todas as pessoas são iguais. Mas, que a todos, Deus deu a oportunidade de viver. Entretanto, parece que o senhor Jair Bolsonaro ainda não aprendeu isso como homem público. Diante disto, sou obrigada a dizer que ele precisa rever um pouco os seus conceitos e aprender a viver/conviver com as diferenças.
Não sou a favor e nem tampouco contra as chamadas Marchas ou Paradas. Apenas reconheço que a onde termina o meu direito, inicia-se o de outrem. É óbvio, que em tudo deve existir limites. E, que somente através do debate, exercido de forma consciente e democrática, sem se colocar na frente os interesses particulares, de grupos ou de pessoas, é que construiremos uma grande nação.
Lamentavelmente tenho que reconhecer que ainda há muito a ser feito. Mas, vejo que muitas "andorinhas procuram fazer a sua parte". Espero ter contribuído para o debate e com essas palavras encerro, respeitando as  diferenças e opiniões. Quanto aos fatos históricos, não omito opiniões, apenas limito-me a narrá-los à luz de fontes fidedignas, escritas por aqueles, que seguindo o exemplo de Vandré, cantavam: "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
  
                                                                                                    
                                                                                                      Rosélia Santos

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