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Foto de Umbuzeiros na região de Flores - PE, Na Serra do Tamboril |
O Umbuzeiro é árvore
única no mundo e concorre com criação de animais no nordeste, segundo
especialistas. Mas pesquisas e investimentos para aumentar exportação procuram
salvar a planta típica do nordeste do país.
Batizado pelo
escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866 - 1909) como a “árvore sagrada do
Sertão”, o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o semi-árido
brasileiro (nordeste). Devido a esse alerta feito por especialistas,
organizações locais e nacionais trabalham para estimular a preservação e a
exportação do umbu, uma planta que só cresce na caatinga, uma paisagem
exclusivamente brasileira.
Extrair o fruto
dessa planta única no planeta significa uma forma de sobrevivência para muitas
comunidades nordestinas. “É uma das únicas fontes de renda para mais de 200
famílias” no âmbito de uma cooperativa no Estado nordestino da Bahia,
exemplifica Avay Miranda, gestor de projetos da Apex-Brasil (Agência Brasileira
de Promoção de Exportações e Investimentos).
Para aumentar a
produção de umbu e de outros itens agrícolas típicos da biodiversidade
brasileira, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaça
(Coopercuc) quer aumentar as exportações e incentivar negócios sustentáveis com
esses produtos.
Em fevereiro deste
ano, por exemplo, Apex e Coopercuc assinaram um convênio. A Apex deverá
disponibilizar R$ 1 milhão para ações de incentivo aos negócios e exportações.
O dinheiro será distribuído à Coopercuc, para cultivar umbu, e a outras cinco
cooperativas que trabalham com produtos típicos da região, como castanha do
Brasil e de Baru, babaçu e cajá.
A ideia da
parceria entre a Apex e as cooperativas é agregar valor aos produtos
brasileiros e gerar renda para as famílias beneficiadas, além de contribuir,
por exemplo, na conservação do umbuzeiro, explica Miranda, da Apex-Brasil.
O umbuzeiro é
considerado uma árvore pequena, com cerca de seis metros de altura. Como não
existem relatos sobre a existência da planta em outras regiões do planeta,
conservá-la é uma das principais preocupações de quem trabalha com ela.
Na caatinga
praticamente não existem novas plantas de umbuzeiro. As espécies encontradas
têm mais de 100 anos de idade, segundo o biólogo José Alves, da Universidade
Federal do Vale do São Francisco (Univasp), que estuda o umbuzeiro há oito
anos. O pesquisador é taxativo: “O umbuzeiro é uma espécie ameaçada de
extinção, embora oficialmente não seja considerada ameaçada pelo governo
brasileiro”.
Para o autor do
livro A Flora das Caatingas no Rio São Francisco, recém-publicado, o principal
problema que ameaça a espécie é a criação inadequada de bodes, cabras e ovelhas
no nordeste, região que, segundo o professor, detém o maior rebanho do Brasil.
Como muitos animais são criados soltos na caatinga, comem as plantas
recém-germinadas, o que faz com que as espécies mais jovens desapareçam.
José Alves aponta
que, para evitar a extinção do umbuzeiro, os animais precisam ser mantidos em
ambientes mais confinados. O pesquisador ainda alerta que, se as comunidades
não mudarem a forma de criação de ovinos e caprinos, o trabalho da Coopercuc,
de preservação do umbuzeiro, corre um sério risco: “Do contrário, teremos de
escolher se vamos querer comer carne de bode ou provar umbu”, adverte o
professor.
Em 2005, a
Coopercuc iniciou as exportações de geleias para a França. Depois de atingir
outros mercados, como Áustria e Itália, a cooperativa quer ampliar os negócios.
“O objetivo é aumentar as exportações para a Europa. A Alemanha é um dos
mercados que queremos atingir”, conta o presidente da Coopercuc, Adilson
Ribeiro.
Criada em 2004, a
Coopercuc tem sede na cidade de Uauá, na Bahia, e reúne 244 cooperados, a
maioria mulheres, que produzem doces e geleias à base de frutas nativas do sertão.
O envolvimento dos cooperados é um dos motivos apontados para o sucesso da
iniciativa. Desde 2005, a cooperativa já exportou para a Europa mais de 15
contêineres. Cada um deles estava carregado com 20 toneladas de geleia de umbu
orgânica.
Na opinião de
especialistas, o umbu encontra adesão em novos mercados porque tem um sabor
exótico: é agridoce e difícil de se comparar com outra fruta. José Alves, da
Univasp, sugere que o umbu também seja exportado in natura. Segundo Alves, a
região entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) é a maior produtora de frutas para
exportação do Brasil. Mas não deve plantar frutas como uva, manga e melancia
para exportação: “Sempre defendi que a solução é trabalhar com espécies nativas
do semi-árido. O umbu é o principal cartão de visitas, tem a maior
potencialidade para se fazer um trabalho de médio e longo prazo”, acredita
Alves.
Mas a preservação
do umbuzeiro precisa ser impulsionada imediatamente “para que se garanta essa
atividade sustentável pelos próximos dez, 20 anos - como acontece com a
castanha do Pará e o açaí na Amazônia”, afirma José Alves. Do contrário, a
atividade tende a se tornar insustentável e a exportação para países europeus
pode ser comprometida ao longo dos anos, avalia o especialista.
http://noticias.terra.com.
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