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29 de janeiro de 2020

DOUTURA EM MATEMÁTICA REVELA QUE NÃO SABE DIVIDIR COM 3 DIGITOS NEM CALCULAR RAIZ QUADRADA




Clara Grima lembra o momento exato em que decidiu não apenas pesquisar e ser professora universitária de matemática, mas também se empenhar em divulgar conhecimento científico. Era 2011 seu filho, Ventura, que tinha 6 anos na época, perguntou-lhe qual era o símbolo em sua camisa: "Isso é uma mesa ou um gol de futebol?" Não era uma coisa nem outra. Era um número: pi. A conversa terminou com Ventura concluindo que "o infinito é uma invenção dos matemáticos para quando se cansam de contar". O bom da matemática é pensar, fazer algo que as máquinas não sabem fazer", diz Grima à BBC Mundo.
Desde então, a espanhola não apenas faz pesquisas, mas também escreve livros populares para crianças e adultos. Seu último livro, Que a matemática esteja com você! (2018, ainda não disponível no Brasil), mostra uma variedade de situações cotidianas em que é possível encontrar matemática, desde em vacinas até no Facebook. Antes do Hay Festival Cartagena 2020, festival que discute cultura e questões sociais, Grima conversou com a BBC Mundo, sobre matemática.

LEIA A ENTREVISTA!
BBC News Mundo - Em “Que a matemática esteja com você”! você diz (e prova) que a matemática é um jogo, que você só precisa "aprender as regras e jogar". Por que você acha que essa noção lúdica não é a mais difundida?

Clara Grima - Por mais que doa, devo admitir que a matemática ainda tem essa lenda, essa má reputação que não lhe pertence. Sou pesquisadora e professora universitária desde 1995 e comecei a fazer divulgação científica em 2011, quando graças aos meus filhos comecei a falar de matemática com crianças. Conheci crianças de 5 ou 6 anos que me diziam: "Eu não gosto de matemática". E eu sempre respondo a mesma coisa, digo: "Como você sabe se ainda não experimentou?" Então percebi que as crianças aprendem a odiar a matemática antes de estudá-la, porque está no ambiente, na sociedade. É uma coisa simpática você dizer que não domina a matemática. Celebridades da televisão dizem isso, também alguns youtubers. E isso vai pegando.

BBC News Mundo - Mas não é o seu caso: você sempre gostou de matemática e até diz que ela te "moldou".

Clara Grima - Sim, adoro matemática desde pequena. Para mim, era um jogo, era como um mistério. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que resolvi uma equação do tipo x + 2 = 4. Lembro-me de gritar na sala de aula: "Que legal! Eu descobri uma coisa!" Mas a verdade é que eu queria ser filósofa porque também gosto de escrever. E foi justamente meu professor de filosofia que me disse para estudar matemática porque eu estava indo bem e porque conseguiria um emprego mais cedo. E ele estava absolutamente certo. A primeira coisa que a matemática me deu foi a cura da humildade: meu orgulho e meu ego foram arrastados pela lama de uma maneira cruel, porque não era tão boa quanto eu pensava. Então descobri a beleza da matemática e aprendi uma maneira diferente de ver o mundo pela qual eu me apaixonei. No nível pessoal, ao fazer minha tese de doutorado, descobri os grafos (ramo da matemática que estuda as relações entre os objetos de um determinado conjunto) e, pouco tempo depois, casei-me com meu orientador de tese. Então meus filhos nasceram e eles mesmos, com sua conversa, mudaram minha vida novamente e eu comecei a divulgação. Agora, dou palestras e escrevo livros, algo a que eu tinha renunciado ao virar matemática, mas que voltou de outra maneira. Não escrevo romances ou ensaios filosóficos, escrevo sobre matemática.

BBC News Mundo - Como pesquisadora, você trabalha na teoria dos grafos, algo que você acabou de mencionar e que aparece em muitos capítulos de Que a matemática esteja com você!. Você poderia explicar de uma maneira simples o que é um grafo?

Clara Grima - Um grafo é um objeto matemático composto de dois conjuntos de elementos: um são os pontos, que podem representar pessoas ou objetos, e o outro conjunto são listras ou linhas, que unem esses pontos dois a dois. Podemos usar o Facebook como exemplo. Cada um dos usuários seria um pequeno ponto e dois usuários que são nossos amigos no Facebook apareceriam unidos a nós por linhas finas. Isso nos daria um desenho: isso é um grafo. Nesse caso, é um grafo muito grande, porque o Facebook possui da ordem de 1,6 bilhões de usuários.

BBC News Mundo - No livro, você usa os grafos para explicar desde a série Game of Thrones até as campanhas de vacinação. Se é uma teoria tão útil, por que geralmente não é ensinada na educação básica?

Clara Grima - Eu me formei em matemática sem ter visto um grafo.
Mas quando comecei a fazer divulgação, muito rapidamente comecei a falar um pouco sobre grafos por dever profissional. E percebi que é uma ferramenta muito útil, que permite modelar problemas matemáticos de uma maneira muito eficiente e resolvê-los sem os cálculos tediosos que as crianças são forçadas a fazer o tempo todo. O que prevalece na solução de problemas usando grafos é instinto e lógica, não a capacidade de fazer cálculos que, francamente, são chatos e inúteis. A máquina faz melhor. Para mim, a máquina de lavar lava melhor, um carro vai a uma velocidade que nunca alcançarei e uma calculadora calcula muito mais rápido do que eu. Sou doutora em matemática e não sei dividir com três algarismos nem sei calcular uma raiz quadrada à mão. A beleza da matemática é pensar, é fazer algo que as máquinas não sabem fazer.

BBC News Mundo -Você também costuma usar o conceito de pessoa "anumérica". O que isso significa e que perigos isso implica?

Clara Grima - O termo "anumerismo" foi cunhado por Douglas Hofstadter e popularizado por John Allen Paulos com seu livro The Anumerical Man (O Homem Anumérico, em tradução livre) Significa um analfabetismo em conceitos básicos de matemática — não saber calcular uma porcentagem, não entender um gráfico —, algo que apresenta vários níveis de perigo. Por exemplo, na Espanha, é tradição comprar a loteria de Natal. Há pessoas na fila para comprar em um determinado lugar porque pensam que têm mais chances de ganhar lá. Esse é um caso claro de anumerismo que ocorre todos os anos neste país. Mas, ao fazer isso, você está, no máximo, perdendo seu tempo, isso não afeta sua vida. Mas se eles enganam você no banco com um produto financeiro, a coisa já se torna mais séria.

BBC News Mundo - E o que dizer da "miragem da maioria" e como isso piorou com as redes sociais?

Clara Grima - É uma maneira um pouco mais complexa de ser anumérico.
É o que eles chamam de "bolha", que acontece quando você está em um determinado grupo social, que pode ser real ou virtual. O que acontece é que agora as redes sociais têm o poder de transmitir notícias falsas ou fraudes muito grandes. O problema é que é muito difícil sair desse anumerismo e isso afeta a todos nós. Deixar a bolha de informações é um esforço pessoal que precisamos fazer. E então, por outro lado, o que isso nos ensina é que precisamos ser empáticos. É muito fácil dizer que um grupo ao qual você não pertence toma decisões estúpidas. Mas eles podem não ver as coisas da mesma forma porque são afetados por essa miragem. É por isso que a melhor maneira de tirar uma pessoa de sua bolha é com dados e empatia.

BBC News Mundo - Qual é a pergunta matemática que as crianças mais fazem?

Clara Grima - Quando digo que sou pesquisadora de matemática, eles me dizem: "Mas o que você precisa descobrir? Se já sabemos que 2 + 2 é 4". Bem, muitas coisas, porque a matemática vai além da aritmética.
Toda descoberta feita é como uma porta que se abre e o que está atrás dela é um corredor enorme, quase infinito, cheio de portas fechadas, que devem ser reabertas, porque o conhecimento se expande.

BBC News Mundo - Isso significa que, no debate sobre se a matemática é descoberta ou inventada, você apoia a primeira opção?

Clara Grima -Eu acho que é meio a meio. Há uma parte da matemática que é evidentemente o resultado da abstração da mente humana e que é inventada.
Por exemplo, pegamos números, gráficos ou funções, que são os objetos com os quais vamos jogar e inventamos as regras do jogo, que podem ser como são formados, como se multiplicam, como se dividem... Então, a partir dessas regras e do jogo, descobrimos quais propriedades elas têm. E há uma parte da matemática que descobrimos olhando a natureza. Antes, se pensava que a única geometria existente era a geometria euclidiana, onde duas linhas paralelas nunca serão cortadas. Bem, um dia alguém pensou: "Vamos inventar uma geometria que não seja assim, onde linhas paralelas, no final, se encontram".
Na época, isso parecia ser uma abstração da mente e uma matemática inventada, mas aí vem (Albert) Einstein e explica o espaço-tempo, e o universo dá razão: era uma matemática que estava oculta. Em 2018, eu fazia parte de um grupo de pesquisa que descobriu uma forma geométrica que não havia sido vista, chamada de escutoide, e que teve um impacto brutal. Foi uma colaboração com biólogos celulares, que nos ligaram porque queriam saber como descrever o formato das células epiteliais, que são os tecidos que cobrem todos os nossos órgãos. Quando começamos a descrever a forma geométrica, percebemos que era uma forma que não existia. Posso inventar uma forma geométrica, mas esta não foi inventada, foi descoberta através da observação das células epiteliais, era uma forma que se repete em todas elas. Muitas vezes inventamos a matemática, mas outras vezes ela é descoberta olhando o universo. Ou, nesse caso em particular, olhando as glândulas salivares da mosca, que é algo menos romântico.

msn.com

1 de janeiro de 2020

E SE… JESUS NÃO TIVESSE NASCIDO



Jesus, em sua época, não foi o único a ser chamado de Messias. Entre os judeus, o Messias era o líder profetizado que os libertaria da dominação estrangeira, dando início a uma nova era. Mas Jesus foi o único que transformou esse conceito do judaísmo em uma ideia de libertação espiritual, mais complexa.
Após a crucificação, seus discípulos passaram a pregar ativamente para não judeus, com um sucesso ímpar. Sem Jesus, obviamente, não existiria cristianismo, nem nada parecido. E sem cristianismo a Europa acabaria dividida em vários segmentos religiosos.
O Império Romano daria origem a dois deles. Os descendentes da parte ocidental do Império, a que tinha sede em Roma, são os países latinos, que foram conquistados por germânicos, mas mantiveram sua identidade na forma da língua. O português, o espanhol, o francês e o italiano nasceram de dialetos do latim puro.
Nesse pedaço do império, ali pelo século 2, havia uma religião em ascensão, que substituía o culto ao panteão greco-romano. O nome dela era mitraísmo – uma versão bastardizada do zoroastrismo, que celebrava o deus persa Mitra e o deus romano Sol (a personificação do Sol) como uma única figura. 25 de dezembro era o dia de Sol Invictus, uma comemoração do solstício de inverno no Hemisfério Norte.
O solstício é a noite mais longa do ano. Dali em diante os dias ficam mais compridos. É o Sol vencendo a escuridão de novo. A data era comemorada com banquetes pelos mitraístas. Não só por eles: todas as culturas do Hemisfério Norte têm alguma celebração de solstício de inverno.
Bom, o mitraísmo não era popular na parte oriental do Império, aquela com sede em Constantinopla (atual Istambul) e a que sobreviveu à queda de Roma com o nome de Império Bizantino.
Essa foi a parte que mais se cristianizou, ainda que o cristianismo continuasse a ser bem minoritário quando o imperador Constantino 1o se converteu, no século 4, levando a uma explosão de conversões nas décadas seguintes. Sem cristianismo, os deuses do Olimpo perdurariam nas regiões onde hoje prevalece a Igreja Ortodoxa, filha dos bizantinos.
As outras civilizações europeias seriam os germânicos que não se latinizaram, no centro e norte da Europa, os celtas, que se mantiveram nas ilhas britânicas e na Bretanha francesa, e os eslavos, a leste e sul, só para ficar nos maiores. Essas civilizações todas trocariam suas figurinhas, como foi no cristianismo. Mas a situação seria mais instável e hostil, e essas trocas, sem uma língua franca e o estudo institucional estabelecidos pela Igreja, seriam mais modestas.
No fim, dessas partes todas, a única realmente “ocidental”, capaz de preservar o conhecimento da Antiguidade, seria o oriental Império Bizantino.
Quanto ao resto do mundo, a influência maior de todas seria uma ausência: o Islã. Maomé fundou uma terceira religião abraâmica porque acreditava que tanto o judaísmo como o cristianismo teriam sido “corrompidos” em sua mensagem original. O Islã, então, surgiu no século 7 como uma espécie de amálgama, juntando a lei mais estrita do judaísmo com o poder de arrebanhar fiéis do cristianismo. Imbuídos de uma nova fé, os islâmicos rapidamente conquistaram territórios a leste e oeste, acabando com o Império Persa, chegando até a Península Ibérica em um século, e enfraquecendo imensamente o Império Bizantino. Sem Islã nem cristianismo, não haveria Cruzadas. Sem Cruzadas, não haveria o gosto adquirido por especiarias pelos cavaleiros que voltaram para casa, iniciando o comércio muito lucrativo que moveria a história. E o Império Bizantino teria sobrevivido.
Na vida real, a queda de Constantinopla, em 1453, levou ao domínio monopolista otomano das rotas de especiarias, e os otomanos, que eram islâmicos, jogaram os preços nas alturas, motivando espanhóis e portugueses a buscar outras rotas. Sem Islã e sem queda de Constantinopla, não haveria motivo para as grandes navegações. Alguém chegaria à América uma hora, mas os europeus não são os mais prováveis candidatos.
Os escandinavos de fato descobriram a América por volta do ano 1000, mas foram expelidos facilmente pelos nativos. Com a Europa fora da corrida, a Pérsia, a Índia ou a China colonizariam a América. Talvez o Brasil abraçasse o hinduísmo – e o Natal daqui seria o Pancha Ganpati, um feriado do hinduísmo dedicado a Ganesha, o deus-elefante, e ao solstício de inverno.
Ainda seria má notícia para as populações nativas, mesmo sem o ímpeto da conversão: os asiáticos gostavam de ouro tanto quanto os europeus.  
Em resumo, sem o cristianismo a Europa quase certamente não atingiria a dominância que atingiu. Deixados em paz, os iranianos – nome como os persas chamavam a si próprios – seriam outra civilização potente, assim como a Índia, que também enfrentou muitas guerras e conquistas dos islâmicos.
Os iranianos, inclusive, haviam preservado bastante o conhecimento dos gregos, o que permitiu a Era de Ouro do Islã quando foram conquistados. Mas não há garantia nenhuma que isso levasse a um Iluminismo ou a uma Revolução Industrial asiática ou bizantina. Eram todas civilizações avançadas, mas nenhuma desenvolveu espontaneamente a ascensão da burguesia industrial contra a nobreza proprietária de terras – e foi isso que moveu uma mudança radical, tanto na produção como no pensamento, sempre sob influência europeia.

Por Alexandre Versignassi
Fonte: Superinteressante

24 de abril de 2015

MORTOS CHINESES NÃO TERÃO MAIS SHOWS DE STRIPPERS EM SEUS FUNERAIS


As autoridades chinesas estão lançando uma campanha para acabar com stripteases e outros espectáculos “lascivos” que se tornaram populares nos funerais em algumas áreas rurais, declarou o Ministério da Cultura nesta quinta-feira (23), afirmou a agência Associated Press.
O ministério disse em um comunicado que vai reforçar o controle sobre a cultura rural, onde performances vulgares têm prosperado por causa de uma falta geral de eventos culturais.
Tais performances em funerais são um fenômeno relativamente novo. Muito moradores das zonas rurais acreditam que um grande comparecimento é um sinal de honra para o morto, e os shows são utilizados para atrair mais gente e mostrar a prosperidade da família.
Os funerais são também uma ocasião rara para as pessoas se reunirem, uma vez que os moradores que trabalham como migrantes em centros industriais voltam para casa para enterrar o falecido.
Antigamente, as performances de ópera tradicional eram populares nos funerais, seguidas mais tarde por sessões de cinema.
Nos últimos meses, as pessoas que voltaram para suas cidades natais no interior para funerais reclamaram nas redes sociais sobre programas eróticos.
O ministério citou uma performance de seis strippers em um funeral no norte da província de Hebei e um show de três artistas em um funeral na província oriental de Jiangsu.
“Os responsáveis por atos vulgares serão punidos. Tais operações ilegais têm perturbado os mercados de entretenimento local e corrompem os costumes sociais”, disse o ministério.

UOL.com

16 de abril de 2015

SESC SELECIONA ARTISTAS E BANDAS PARA PROJETO INTERVALOS INSTRUMENTAIS


O Sesc Paraíba lançou nesta terça-feira, 14, o edital para a seleção de artistas e bandas com o objetivo de integrar a edição 2015 do projeto INTERVALOS INSTRUMENTAIS.
A atividade busca fomentar a produção de música instrumental no Estado da Paraíba, promovendo a troca de experiência entre músicos e a comunidade em geral. As inscrições, que são gratuitas, acontecem de 30 de abril a 15 de maio e o edital completo, bem como ficha de inscrição e autorização de imagem, podem ser acessados no site do SESC.
No total, serão selecionadas seis propostas, que participam da programação entre junho e novembro nas cidades de João Pessoa, Campina Grande e Guarabira, de acordo com o calendário a ser desenvolvido pela instituição. Após as inscrições, uma equipe composta por técnicos do Sesc e especialistas na área de música irá analisar as propostas inscritas.
O resultado dos selecionados será divulgado no site da instituição no dia 25 de maio.
O projeto Intervalos Instrumentais se caracteriza como uma atividade inovadora na música em todo o estado e traz em cada etapa a apresentação de um artista local com a participação de um artista especialmente convidado pelo Sesc. Além da apresentação, cada artista convidado ministra ainda um workshop gratuito especializado em seu instrumento, promovendo não apenas o lazer, mas a educação através da cultura.
Para ter acesso ao edital completo com todas as informações, bem como as fichas necessárias à inscrição, os interessados podem acessar o site. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (83) 3208-3194, ou no setor de cultura do Sesc Centro João Pessoa, que fica na rua Desembargador Souto Maior, 281, Centro.
 
Acesse o Edital aqui!!
 
Portal Correio

17 de março de 2015

EQUIPE DA ESPANHA ANUNCIA TER ENCONTRADO RESTOS MORTAIS DE MIGUEL DE CERVANTES


A equipe responsável por procurar os restos mortais do escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, está “convencida” de ter encontrado o material entre fragmentos de ossos localizados em uma cripta de um convento de Madri, um ano depois do início dos trabalhos.
“À vista de toda a informação gerada no caso de caráter histórico, arqueológico e antropológico, é possível considerar que entre os fragmentos da área localizada no solo da cripta da atual igreja das Trinitárias se encontram alguns pertencentes a Miguel de Cervantes”, disse o antropólogo Francisco Etxeberría, coordenador da equipe. “São muitas as coincidências e não há discrepâncias”, completou Etxeberría, que reconheceu que não foi possível rastrear indícios dos ferimentos sofridos pelo escritor na batalha de Lepanto.
Na batalha naval de Lepanto, em que a Santa Liga formada principalmente por Espanha, Veneza e a Santa Sé venceu os turcos em 1571, Cervantes foi ferido no peito e na mão de esquerda por um arcabuz.
O ferimento deixou sua mão esquerda inutilizada e o autor passou a ser chamado de “o manco de Lepanto”.
“Não conseguimos verificar esta circunstância porque o nível de conservação do osso não permitiu, não conseguimos descobrir nenhum sintoma de patologia traumática”, disse o antropólogo.
“Todos os membros da equipe estão convencidos de que temos entre estes fragmentos algo de Cervantes, mas, no entanto, não posso dizer em termos de certeza absoluta”, completou.
“As coincidências e as não discrepâncias da articulação e dos elementos de caráter histórico, antropológico e arqueológico nos levam a considerar que ali estaria Cervantes em termos razoáveis”, explicou.
“Não vai acontecer uma individualização confirmada pela genética”, afirmou a arqueóloga Almudena García Rubio, ao reiterar o que já havia sido antecipado pela equipe no início da busca, em março do ano passado.
Apesar da boa conservação dos restos mortais para exames de DNA, a única descendência atual da família de Cervantes procede de seu irmão Rodrigo.
“E depois de 12 gerações, o DNA que poderia ter em comum com Cervantes é mínimo”, já havia afirmado o historiador Fernando de Pardo.
Os restos mortais daquele que é considerado o maior escritor espanhol da história foram localizados na cripta da igreja do Convento de “San Ildefonso de las Madres Trinitarias”, no conhecido bairro da Letras, centro de Madri.
Nascido em 1547 em Alcalá de Henares, perto de Madri, o autor de Dom Quixote de la Mancha viveu seus últimos anos neste bairro madrileno e faleceu em 22 de abril de 1616.
Cervantes foi sepultado na igreja do convento um dia depois, 23 de abril, data que foi oficializada como a de sua morte, já que na época o dia do enterro era considerado a data do óbito.
 
Fonte: g1. com

15 de outubro de 2014

COMEÇA HOJE EM PATOS - PB O 8º FESTIVAL CINEMA COM FARINHA


O município de Patos - PB, a 300 quilômetros da Capital João Pessoa, sediará a oitava edição do Festival Cinema com Farinha entre a partir desta quarta (15) até a sexta (17). O evento acontece no coreto da Praça Getúlio Vargas sempre às 19h.
“São 120 filmes, de 51 países diferentes. É cinema na praça, acessível. De graça”, observou o idealizador do festival, o cineasta Deleon Souto. “Entre os escolhidos daremos destaques às produções locais. É importante que a comunidade se veja na telona”, completou.
Assim como nas outras edições, todas as noites a praça de eventos estará repleta de pessoas ‘famintas’ por cinema (com farinha). Crianças, jovens, adultos e idosos, todos provarão mais uma vez desta receita. “Pelo sucesso da última edição, podemos afirmar que o sertanejo aprendeu a ‘degustar’ o Cinema com Farinha”, lembrou Deleon.
Entre os destaques da programação, está à exibição, na praça, do filme ‘Os Tubarões de Copacabana’, da diretora Rosario Boyer, nesta quinta-feira, às 21h. O ator Raul Gazolla, que protagoniza o filme, estará participando do lançamento em Patos.
Serão exibidos também, entre os longas convidados, a ficção “Minutos Atrás”, de Caio Sóh, nesta quarta-feira, e o documentário “Cauby - começaria tudo outra vez”, de Nelson Hoineff, na sexta-feira - sempre às 21h. A mostra de longas vai até o fim da programação, sempre após as mostras competitivas.
Além das atrações principais, que acontecem na Praça Getúlio Vargas, haverá, a partir desta quinta, oficinas, mostra infantil nas escolas, mostra internacional para cineclubistas, debates com os diretores, intervenções artísticas e fórum de realizadores.


Fonte: Portal Correio

4 de outubro de 2014

JUSTIÇA LIBERA PUBLICAÇÃO DE LIVRO QUE AFIRMA QUE LAMPIÃO ERA GAY


Após três anos de proibição, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe liberou na última terça (30) a publicação do livro “Lampião, O Mata Sete”, em que o autor, o escritor e juiz aposentado Pedro de Morais, defende a tese da homossexualidade do lendário cangaceiro Virgulino Ferreira.
O livro estava proibido desde 2011 graças a uma sentença do juiz Aldo de Albuquerque Mello, da 7ª Vara Cível de Aracaju, que atendeu a pedido de Expedita Nunes Ferreira, filha de Lampião e Maria Bonita. O acórdão reverte esse veto. O advogado de Expedita diz que irá recorrer.
Em sua decisão, o desembargador Cezário Siqueira Neto afirma que a proibição do livro feria a liberdade de expressão. “Querer impedir o direito de livre expressão do autor da obra, no caso concreto, caracterizaria patente medida de censura”, vedada pela Constituição, diz o texto.
Para o autor Pedro de Morais, a sentença representa “a vitória da liberdade de expressão” e abre um precedente para outros autores que estão com biografias barradas.
Em sua obra, Morais diz que Lampião era homossexual e dividia com a mulher, Maria Bonita, o também cangaceiro Luiz Pedro.
O advogado de Expedita, Wilson Wynne, diz que irá recorrer da liberação do livro até o STF (Supremo Tribunal Federal), se for necessário.
“Fundamentamos nosso processo no princípio constitucional da inviolabilidade e da privacidade. Existem centenas de livros publicados sobre Lampião. A família nunca interferiu. Mas este livro não retrata a história, apenas invade a privacidade de uma família”, afirma Wynne.
Tramitam no STF e no Congresso iniciativas que visam liberar a publicação de biografias não autorizadas no país. Hoje, o Código Civil permite que biografados ou herdeiros vetem uma obra caso não haja autorização prévia.


A folha.com

2 de outubro de 2014

NA TURQUIA ARQUEÓLOGOS ACREDITAM TER ENCONTRADO A MASMORRA DE DRÁCULA


A masmorra que pertenceria a Vlad, o Empalador, inspiração para o sanguinolento personagem Drácula, foi descoberta recentemente na Turquia, anunciaram arqueólogos do país bem a tempo das comemorações do Halloween, divulgou a revista “Time”.
A descoberta de onde vivia o príncipe romeno Vlad III, que costumava empalar seus inimigos, foi feita durante um projeto de restauração no antigo Castelo Tokat, onde os otomanos aprisionaram o príncipe, em meados do século XV. Os pesquisadores descobriram um túnel secreto que levava a um abrigo militar. Duas masmorras também foram descobertas no castelo, uma delas, a de Vlad III. “Tentamos esclarecer a história com as camadas de estrutura que desenterramos” disse ao “Hurriyet Daily News” o arqueólogo İbrahim Çetin, que trabalha nas escavações. Ele disse que a equipe encontrou ainda cubos de comida e um terraço aberto, bem como o abrigo militar e masmorras que foram “construídas como uma prisão”. — O castelo é completamente cercado por túneis secretos. É muito misterioso — disse ele.


Fonte: o globo

11 de setembro de 2014

ESTADO DA PARAÍBA PODE PAGAR MULTA DE R$ 500 MIL POR IMÓVEL HISTÓRICO NÃO CONSERVADO NA CAPITAL JOÃO PESSOA


Estado da Paraíba, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphaep) e o proprietário estão sendo acionados pela 2ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e do Patrimônio Social de João Pessoa para que providenciem obras necessárias à preservação e recuperação de um imóvel histórico, localizado na Avenida Monsenhor Valfredo Leal, nº 147, em Tambiá, que se encontra em ruínas. A constatação parte do Ministério Público da Paraíba, divulgada nesta quinta-feira (11).
Na ação, o promotor João Geraldo, pede condenação do Estado e do Iphaep ao pagamento de R$ 500 mil cada um pela prática de danos morais coletivos por não tomarem as medidas necessárias à conservação, preservação e reconstituição do bem imóvel. A ação pede ainda que, caso seja concedida liminar pela Justiça e haja descumprimento, seja aplicada multa diária aos agentes públicos no valor de R$ 10 mil.
Em 2013, a promotoria constatou que o imóvel, que tem um dono, necessitava de intervenções emergenciais para a correção de problemas que o ameaçavam de ruína e até de desmoronamento.
Foi expedida uma recomendação ao Iphaep para que tomasse as medidas administrativas e judiciais cabíveis para preservação e conservação do patrimônio histórico e cultural de João Pessoa. Desde então, o promotor alega que não houve nenhuma intervenção no prédio.


Fonte: Portalcorreio.com

14 de agosto de 2014

MINC APROVA R$ 4,1 MILHÕES PARA TURNÊ DE LUAN SANTANA



O Ministério da Cultura (MinC) aprovou um projeto de R$ 4,1 milhões para 15 shows de Luan Santana, para captar recursos pela Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Na quarta-feira, 6, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) deu o aval para o projeto e divulgou no site do ministério.
O cantor fará shows da turnê “Nosso tempo é hoje”, do álbum homônimo lançado no final de 2013. O projeto proposto ao MinC pela empresa do artista (LS Music Produções) visa “difundir as raízes sertanejas enquanto manifestação cultural e artística a partir da música romântica, além de sua história e influência na formação da sociedade contemporânea”, e “promover acesso a entretenimento musical de qualidade”.
A aprovação do projeto não garante que o mesmo seja patrocinado. É apenas o aval para que o cantor busque o valor junto a empresas, que têm, em troca, abatimento de imposto proporcional ao valor investido. A comissão de avaliação agrega representantes de artistas, empresários e sociedade civil.
A Lei Rouanet incentiva projetos culturais diversos, contemplando artistas independentes e famosos, como já fez com Milton Nascimento (R$ 957 mil), Jeito Moleque (R$ 2,4 milhões), Parangolé (R$ 300 mil), Claudia Leitte (R$ 5,8 milhões) Rita Lee (R$ 1,8 milhão) e Detonautas (R$ 1 milhão).
Os shows de Luan Santana estão planejados para Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Recife, Rio Branco, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Uberlândia (MG), Macaé (RJ), Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP).
O valor aprovado pelo MinC não foi o proposto pela LS Music, de R$ 4,6 milhões. Mesmo que ingressos sejam vendidos, a lei exige que parte deles seja distribuida gratuitamente a associações assistenciais, como forma de democratizar o projeto. A produtora pediu R$ 21,6 mil para a confecção das entradas.


UOL.com

26 de julho de 2014

O NOVO TEMPLO DA IGREJA UNIVERSAL E AS REGRAS PARA A ENTRADA DE FIÉIS


Após quatro anos de obras que custaram R$ 680 milhões, o Templo de Salomão, construído no bairro do Brás, região central de São Paulo, pela Igreja Universal do Reino de Deus, vai ser inaugurado no dia 31 somente para convidados e autoridades. O espaço de 100 mil metros quadrados também não tem data para ser aberto aos fiéis - quem quiser assistir aos cultos terá de pagar a passagem para a empresa de fretamento contratada pela Universal, ao valor de R$ 45 por pessoa, para quem mora na capital.
Nesta quinta-feira, 24, a cúpula da igreja promoveu uma entrevista coletiva em Santo Amaro, na zona sul, para explicar detalhes sobre o templo, o maior espaço religioso do País, quatro vezes maior do que o Santuário Nacional de Aparecida. O local acomodará um público de 10 mil pessoas, sentadas. O ambiente é suntuoso, com mármore rosa italiano, 10 mil lâmpadas de LED e oliveiras importadas de Israel.
Para a inauguração do dia 31, autoridades como a presidente Dilma Rousseff, o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad são aguardadas para o evento. “Teremos centenas de autoridades. Não temos um balanço dos nomes, mas a Dilma já se antecipou e declarou publicamente que estará presente”, disse Renato Parente, jornalista que apresentou os detalhes do templo.
Parente disse que nenhuma pessoa poderá entrar no templo por conta própria. Quem quiser, vai precisar contratar o serviço de fretamento feito por ônibus. Para pessoas de outras cidades e Estados o valor da passagem ainda não foi estimado pela mesma empresa de ônibus, cujo nome não foi revelado. “É um preço que será cobrado pela empresa de fretamento, não é da igreja. Não é um ônibus de linha normal, é turístico”, disse Parente. O templo também vai ter um telão com 20 metros de comprimento (maior do que os telões dos estádios da Copa do Mundo) e 60 apartamentos para pastores convidados, além da residência oficial do pastor Edir Macedo, fundador da Universal.
A igreja também divulgou regras para o uso de roupas. Mulheres devem evitar o uso de minissaias e roupas curtas. Para os homens, está vetado o uso de bermudas e de uniformes de clubes esportivos. Chinelos, camiseta regata, boné e óculos escuros também foram proibidos.
A autorização para o funcionamento do local foi emitida pela Prefeitura no dia 10, por meio da certidão de diretrizes da CET, documento que atesta que o empreendedor cumpriu as contrapartidas pelo fato de ser um polo gerador de tráfego. Entre as obras que a igreja teve de realizar estão a instalação de cinco semáforos em cruzamentos da região e o plantio de 25 mudas de árvores. Outra contrapartida foi a exigência do rebaixamento de guias de cinco cruzamentos. O certificado de conclusão de obra ainda deverá ser solicitado.


Fonte: msn.com

23 de junho de 2014

PARQUE DO POVO EM CAMPINA GRANDE – PB É PURA CULTURA


 
Nem só de forró vive o Parque do Povo. Durante a realização do Maior São João do Mundo 2014, ano do sesquicentenário de emancipação política de Campina Grande, a organização reservou um espaço para a literatura, localizado na Rua da Imprensa.
A Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB) está com mais de sessenta títulos à disposição dos forrozeiros que frequentam diariamente o Parque do Povo, com preços acessíveis a todos os bolsos, que variam de R$ 3 a R$ 30.
De acordo com a secretária da EDUEPB, Zoraide Pereira, o atendimento ao público começou no dia 12 de junho, sempre a partir das 19h e até a meia-noite. “A visitação está nos surpreendendo e as vendas acontecem dentro do previsto”, comentou.
“Já conseguimos vender todos os exemplares do livro infantil O Gato Xadrez, e na próxima quarta-feira (25) vamos ter que repor. Os títulos mais procurados são A representação da Sogra, Confidencial, de Chico Maria, e Reminiscências Campinenses, de Ailton Elisiário”, complementou.
Quem visitar o espaço da EDUEPB terá oportunidade de adquirir livros dos mais variados temas. Muitos autores são professores da instituição. A secretária da editora ressalta que são os turistas quem mais procuram por livros, principalmente os estudantes que estão participando de congressos e encontros realizados na cidade.
 
Fonte: portalcorreio

22 de junho de 2014

CONHEÇA CINCO LUGARES ONDE ERNEST HEMINGWAY VIVEU, ESCREVEU E BEBEU


O autor norte-americano Ernest Hemingway viveu, bebeu, pescou e escreveu em muitos lugares do mundo.
Um de seus redutos mais famosos é Key West, na Flórida, onde uma celebração póstuma de seu aniversário acontece em todos os meses de julho, com um concurso de sósias de Hemingway e outras celebrações - algumas em um de seus bares favoritos.
Os fãs do escritor, no entanto, também podem encontrar a marca dele em museus, casas e outros locais nos estados americanos de Illinois, Idaho e Arkansas, e também em Cuba.
Neste ano ocorre a 34ª celebração anual do Dia de Hemingway em Key West, entre os dias 15 e 20 de julho.
O concurso de sósias começa no dia 17, no Sloppy Joe’s Bar, “morada” do escritor. Os competidores barbados competem até o dia 19. No mesmo dia acontece a “Corrida dos Touros”, com homens levando cabeças de touros presas a rodas, uma memória da corrida de touros na Espanha que Hemingway descreveu em “O Sol Também se Levanta”. Uma corrida de 5 km, e competições de stand-up paddle e pesca estão programadas.
A casa onde Hemingway morou entre 1931 e 1939 (fica na 907 Whitehead St) oferece tours diários. O museu Custom House (281 Front St ) tem mostra sobre o escritor. Hemingway nasceu em 21 de julho de 1899 em Oak Park, em Illinois. Ele deixou para trás a cidade aos 18 anos para ser repórter do Kansas City Star. Descrevia sua cidade como um lugar de “amplos gramados e mentes estreitas”.
Fãs podem visitar a casa onde ele viveu por seis anos, junto de um museu sua homenagem (fica na Oak Park Avenue e abre de domingo a sexta, das 13h às 17h e aos sábados, das 10h às 17h). Hemingway e sua segunda mulher, Pauline Pfeiffer, visitavam a família dela com frequência em Piggott, no Arkansas. O local, hoje, abriga o museu Hemingway-Pfeiffer, restaurado do modo como era nos anos 20 e 30. O museu fica na 1021 W. Cherry St e funciona de segunda a sexta, das 9h às 15h, e aos sábados, das 13h às 15h.
Logo após seu 62º aniversário, em 1961, Hemingway se suicidou dando um tiro na cabeça na entrada de sua última casa na cidade de Ketchum, nas montanhas de Idaho. A casa está fechada ao público, uma determinação da quarta mulher de Hemingway, Mary Hemingway, doada após a morte dela, em 1986. A biblioteca pública organiza um simpósio anual sobre o escritor neste ano, ocorre entre os dias 4 e 6 de setembro, com leituras e competição de tiro ao alvo.
A poucos quilômetros fica o Sun Valley Resort, onde Hemingway escreveu grande parte de “Por Quem os Sinos Dobram”. O quarto onde ele ficou, o 206, tem um busto de bronze do autor, uma máquina de escrever e fotos, e pode ser reservado em agosto por cerca de US$ 600 (R$ 1.351,54) por noite.
Hemingway foi enterrado no cemitério de Ketchum.
Em Cuba, é possível refazer os passos de Hemingway por Havana. Não é possível entrar na casa do escritor em Finca Vigia, mas dá para através das janelas a máquina de escrever do autor, sua biblioteca, troféus de caça e até uma coleção de garrafas de bebidas que ele deixou para trás.
O barco de pesca do escritor, o Pilar, segue junto da piscina, no jardim.
O local preferido de Hemingway para beber era o bar El Floridita, no bairro de Havana Velha, onde o daiquiri foi inventado. Reza a lenda que o escritor bebeu naquele local 13 doses no mesmo dia. Uma estátua em tamanho real de Hemingway ainda repousa no balcão do bar.
Foi em Cojimar, do outro lado da baía de Havana, uma silenciosa vila de pescadores, que Hemingway encontrou inspiração para "O Velho e o Mar". O La Terraza, restaurante de que o escritor gostava, também tem um busto em homenagem a ele.
 
Fonte: A folha

21 de junho de 2014

MORRE ROSE MARIE: UMA DAS PIONEIRAS DO MOVIMENTO FEMINISTA NO BRASIL


Morreu neste sábado (21), no Rio de Janeiro, a escritora e feminista Rose Marie Muraro, aos 83 anos. De acordo com a filha, Tonia Muraro, ela tinha câncer na medula óssea há 10 anos e, desde o dia 15 de junho, estava internada no CTI do Hospital São Lucas, em Copacabana. Ela teve complicações após um tratamento de quimioterapia.
Rose Marie Muraro foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil entre a década de 70 e 80. Foram mais de sessenta anos de dedicação e luta nas conquistas pelos direitos das mulheres. Ela é autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff. Os dois trabalharam juntos por 17 anos. Ao lado de Boff, ela também lutou pela teologia da libertação.
Formada em física e economia, ela também trabalhou na Editora Rosa dos Tempos. Em 2009,  inaugurou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro onde trabalhava até a piora do estado de saúde.
O velório da escritora está marcado para às 8h deste domingo (22), no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio. O corpo será cremado às 16h em uma cerimônia para a família.
Emocionada, a filha da escritora disse que a mãe tinha o sonho de construir um mundo mais solidário e lutou por isso. “A partir dos seus livros, muitos deles com Leonardo Boff, ela ofereceu essa condições mas a gente ainda tem uma grande luta pela frente”, disse. Rose Marie tinha cinco filhos, 12 netos e quatro bisnetos.
Em uma rede social, a presidente Dilma Rousseff lamentou a notícia. “Foi com tristeza que soube da morte de Rose Marie Muraro, ícone da luta pelos direitos das mulheres. Intelectual notável, Rose Mariue foi uma mulher determinada em tudo, na luta contra a barreira da cegueira, na luta pelas suas ideias. Somos todas gratas à dedicação incansável de Rose Marie”, escreveu. Também em rede social, o  Instituto Rose Marie Muraro postou um poema inédito da escritora com o título “O Pássaro de Fogo”.
 

Leia abaixo o poema.

O Pássaro de Fogo

Tu vieste como um pássaro
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.

 
Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.

 
Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.

 
Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.

 
Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.

 
Fonte: g1.com


14 de junho de 2014

O BOCA DO INFERNO SURGE COM FACE ANGELICAL EM NOVA EDIÇÃO

O que se sabe do homem Gregório de Matos e Guerra (1663?-1699?) é muito pouco. Por exemplo, de próprio punho, sobrevive uma única assinatura, no livro de matrícula do curso de direito canônico na Universidade de Coimbra, em Portugal.
Mas ele foi, mais do que um homem, um gênero literário na Bahia do século 17, dizem João Adolfo Hansen, 72, da USP, e Marcello Moreira, 47, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
No final deste mês, chegam às livrarias cinco volumes com os poemas atribuídos a Gregório, editados e analisados por ambos. Reproduzem o códice (manuscrito em pergaminho com as folhas unidas como num livro) “Asensio-Cunha”, reunido no século 18, antes da lenda.
O Gregório proto-nacionalista e obsceno, imagem que resiste até hoje, teria sido uma invenção dos críticos e historiadores românticos do século 19, diz Hansen. “Eles transformaram a poesia na expressão psicológica de um indivíduo-autor”.
Assim, Silvio Romero (1851-1914) “vai dizer que Gregório não era nem índio nem branco nem negro: já era mazombo, um autêntico nacionalista”. E José Veríssimo (1858-1916) “vai dizer que é um canalha, um neurótico”.
As visões românticas culminam em Antonio Candido, de “Formação da Literatura Brasileira” (1957), “que afirma que não existe, na Colônia, um sistema coeso de autor-obra-público”. É exatamente o que a nova edição de Gregório refuta.
Autor da história literária mais influente ou, como descreve Hansen, “totem que já virou tabu”, Candido vê ausência de condições materiais no século 17 para a disseminação literária da proibição de imprensa pela Coroa portuguesa ao analfabetismo.
“Mas hoje a gente sabe que existia um sistema absolutamente consistente”, questiona Hansen. Havia outros modos de escrever e ler, na Salvador então com 30 mil habitantes e no Recôncavo Baiano com 150 mil.
Muitos dos poemas de Gregório são descritos como “Tonilhos para cantar” ou “Letrilhas para cantar”. O próprio levava consigo uma viola de cabaça. “Era prática difusa entre a população pouco letrada”, diz Moreira. “Escravos memorizavam e cantavam as poesias, acompanhando-se de viola”.
Mais importante, as poesias circulavam na Bahia em forma manuscrita, nas folhas volantes que seriam recolhidas depois no códice “Asensio-Cunha”. “As sátiras eram lançadas sob frinchas de portas, à noite, e afixadas em lugares públicos, para serem lidas em voz alta”.
Junto com os manuscritos, por vezes, aparecia uma “Vida” do poeta, que ‘não é uma biografia, como compreendida hoje”. Servia como prólogo, introduzia o poeta como um personagem
“O que aconteceu a partir do século 19 é que a ‘Vida’ deixou de ser lida como gênero literário e passou a ser lida como documento empírico”, diz Hansen. “E a partir daí a psicologia entrou. O homem era um doente, um nevropata, um tarado”.
A poesia atribuída a Gregório, na realidade, “propõe muitas deformações dos tipos que ela ataca”. Segue as convenções clássicas da sátira, em que “o poeta deve usar maledicência, pornografia, termos chulos”.
Quando desqualifica os índios “pela ideia de que seu pênis é pequeno”, é para atingir “os descendentes de Diogo Álvares e Catarina Paraguaçu, que haviam recebido títulos de nobreza da Coroa”.
O que Gregório - ou quem quer que tenha escrito - afirma é que “a verdadeira aristocracia é branca, católica, tem sangue, família”. Em outras palavras, diz Hansen, “a desigualdade era algo evidentemente natural”.
Distante do Gregório antropofágico dos concretistas ou do “arauto da independência”, o poeta que surge na nova edição “tem a racionalidade da Corte, é integrado à hierarquia, exige que a boa ordem seja mantida”.
 
Fonte: A folha
Por: Nelson de Sá

6 de junho de 2014

ANGELINA JOLIE EM ENTREVISTA PARA REVISTA ÉPOCA


“Nunca pensei que faria um filme da Disney”, diz a atriz americana Angelina Jolie, de 38 anos. “Na verdade, nunca fiz um filme a que meus filhos pudessem assistir. Jamais me oferecem esse tipo de papel”. É um belo dia de fim de primavera em Los Angeles, com sol, 22 graus, nuvens e flores por todo lado. Angelina pouco ou nada vê de tudo isso. Desde a manhã, está trancada num hotel de luxo em Beverly Hills, recebendo a imprensa na habitual maratona promocional de lançamento de um filme. No caso, sua estreia como habitante do mundo Disney: Malévola, uma releitura da história da Bela Adormecida. O filme toma emprestada uma ideia do bem-sucedido musical da Broadway: Wicked.
O roteiro do filme, como do musical, explora o passado de uma vilã, a Malévola do título, para explicar suas ações e recolocá-la como, na pior das hipóteses, uma heroína incompreendida e digna de redenção. Usando lentes de contato especiais e próteses de silicone e gel no nariz, nas orelhas e na face – mais um par de chifres de poliuretano, presos à cabeça com uma touca especial e uma série de ímãs –, Angelina cria uma Malévola  plausível dentro do mito reinventado pelo roteiro da veterana Linda Woolverton (A Bela e a Fera, O Rei Leão, Mulan). O diretor do filme é Robert Stromberg, supervisor de efeitos especiais de Piratas do Caribe. A magia das imagens está garantida.
Malévola marca o retorno à vida pública de Angelina, após três anos tomados por seu trabalho humanitário, como Enviada Especial das Nações Unidas, e por uma série de tratamentos médicos que resultaram, em fevereiro de 2013, na cirurgia para remover os seios. Ela constatou que tinha o mesmo perfil genético de sua mãe (a modelo e atriz Marcheline Bertrand, que sucumbiu ao câncer de mama e ovários em 2007, aos 56 anos) e decidiu por uma cirurgia radical preventiva. A decisão de divulgar a cirurgia num artigo para o New York Times foi definida pelo geneticista Eric Topol, como um gesto de alto simbolismo e “um momento que para sempre impulsionará a medicina genética”. Até o lançamento, em dezembro, de seu segundo filme como diretora, o drama de guerra Invencível (Unbroken), ela continuará com sua agenda de ativismo. Comparecerá em Londres, neste mês, a uma reunião de cúpula de 141 países para debater a violência contra as mulheres em situações de conflito. Depois, talvez ela e Brad Pitt se juntem novamente nas telas, algo que não acontece desde a comédia Sr. e Sra. Smith, de 2005, que deu início ao namoro deles. Desta vez, Angelina será diretora e roteirista, e Brad ator. “Depois de muita conversa, agora finalmente farei um filme com Brad”, diz ela, sorrindo. “É uma parceria: escrevi, vou dirigir e atuaremos juntos. Será maravilhoso.”
 
 
ÉPOCA – Esse papel é muito diferente de todos os que a senhora fez em sua carreira. Por que escolheu esse projeto agora?

Angelina Jolie
Sempre quis fazer um papel assim. Gostei desse porque, além de ser um filme que meus filhos podem ver, é um filme que gostaria que eles vissem. Tem uma mensagem coerente com o modo como os educamos. A ideia de que cada um tem uma história que não conhecemos, que não podemos saber o que cada um passou, se foi doente ou molestado ou marginalizado. E que, mesmo que coisas terríveis tenham acontecido, temos sempre de lutar para recuperar nossa humanidade, não permitir que o mal tome conta de quem somos.
 
 
ÉPOCA – O filme Malévola contesta alguns chavões dos contos de fadas do universo Disney. Nos convida a ter um novo olhar sobre o “vilão”, o personagem “do mal”. Qual sua definição de “mal”?

Angelina
Não sei como definir, mas sei que existe. Acredito no mal, porque vi o mal. Não é o das histórias. Não é o de Hollywood. É o que vi em minhas viagens pelas Nações Unidas: crianças queimadas, famílias destruídas, órfãos, mulheres violentadas, crianças torturadas, com unhas arrancadas... Essas meninas (na Nigéria) arrancadas de suas escolas, raptadas. Esse é o mal. É importante compreender o mal e compreender de onde vem, quais são suas raízes. Só assim é possível combatê-lo de verdade. Para enfrentar esse mal, temos apenas as saídas da Justiça, em primeiro lugar, depois da educação. Precisamos nos unir, unir todas as pessoas que reconhecem esse mal e realmente encará-lo.
 
 
ÉPOCA – O  filme também redefine as ideias de “amor verdadeiro” e “felizes para sempre”, clichês comuns no universo de Walt Disney. Qual sua visão sobre essas ideias?

Angelina
Nunca fui romântica. Sou realista e pragmática. Nunca acreditei em “amor verdadeiro”, “amor à primeira vista”. Nunca acreditei na ideia de que basta você encontrar a pessoa certa e se entregar a essa pessoa, e ela se transformará na sua felicidade. Isso mudou quando me tornei mãe. No momento em que olhei nos olhos de Maddox no orfanato (nascido Rath Vibol em Pnom Penh, Camboja, Maddox foi adotado por Angelina aos 7 meses, em 2002), todo o meu mundo mudou. Foi a primeira vez que compreendi o que era amor verdadeiro. É o momento em que você não é mais o centro do mundo e é capaz de se dar inteiramente a outra pessoa, e essa pessoa se torna sua felicidade. Tudo de ruim que possa acontecer a essa pessoa, você diz: “Que venha para mim, não para ela”. Não estou sozinha. Quase todas as mães e pais se sentem assim.
 
 
ÉPOCA – É seu primeiro trabalho diante das câmeras desde as cirurgias a que a senhora se submeteu em fevereiro do ano passado. Como está sua saúde?  Se a senhora pudesse voltar atrás, faria algo de forma diferente?

Angelina
Minha saúde está ótima. Tenho muita energia.  Estou feliz por ter tomado as decisões que tomei. Mesmo a decisão de ter levado a público minha decisão. Era meu dever para com as demais mulheres. Aprendi muito sobre minha saúde e não achava correto deixar de compartilhar o que aprendi e as escolhas que fiz com outras mulheres. Como teria sido bom se as ferramentas que temos hoje estivessem disponíveis para minha mãe, e que ela tivesse essa escolha quando era mais jovem. Ela poderia estar viva e comigo, hoje, aproveitando seus netos.
 
 
ÉPOCA – A senhora pretende continuar o tratamento com a remoção dos ovários, procedimento recomendado para mulheres com a mesma mutação genética sua e de sua mãe?

Angelina Sempre fui muito franca e firme em minha decisão de continuar o tratamento. Neste momento, me informo sobre o assunto, compreendo todos os detalhes sobre o que a mutação significa e como melhor me preparar para ela. Minha opção, como antes, é manter minha privacidade – minha e de minha família – antes e durante o processo, para que eu possa comentá-lo abertamente depois.
 
 
ÉPOCA – Em dezembro deste ano, teremos seu segundo filme como diretora, Invencível, a história do corredor olímpico Lou Zamperini. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele tornou-se prisioneiro dos japoneses. A senhora está determinada a continuar sua carreira como diretora?

Angelina
Estou. Na verdade, estou cada vez mais interessada no trabalho de direção cinematográfica. Me tornei diretora por acaso. Escrevi o roteiro de meu primeiro filme (Na terra de amor e ódio, 2011) como um exercício pessoal, uma meditação sobre o que eu tinha visto e aprendido sobre a situação na Bósnia – uma guerra que nunca consegui compreender direito – e não consegui achar  ninguém que tivesse a mesma paixão pelo assunto, ninguém em quem confiasse. Atualmente, dentro do mundo do entretenimento, dirigir é o que mais quero fazer. É onde está meu interesse. Dirigir filmes é uma forma de abordar temas importantes para mim e de me educar a respeito de coisas que não conheço, de aprender sobre história, sobre cultura e de me aprofundar no conhecimento do próprio cinema.
 
 
ÉPOCA – Se a senhora tivesse de escolher entre ser atriz, ser diretora e ser ativista, o que escolheria?

Angelina
Poderia não ser nenhuma das outras coisas e ser feliz. Mas não poderia não ser uma ativista. Poder usar o poder da celebridade e, assim, chamar a atenção para pessoas e problemas que em geral passam despercebidos é algo que realmente faz sentido para mim. Demorei algum tempo até compreender o que significava ser celebridade, as coisas de que você abre mão sendo uma celebridade e, ao mesmo tempo, o poder que você tem. Comecei nisso muito jovem. De imediato, não sabia o que fazer com o poder e a celebridade. Francamente, nem poder nem celebridade me interessavam muito. Ser capaz de dar uma finalidade, um sentido a isso, é algo muito especial.
 
Fonte: época