Uma criança cega
de oito anos foi resgatada de cárcere privado pela Polícia Civil do Piauí, na
manhã desta quinta-feira (7), no centro do município de Uruçuí (459 km de
Teresina). A menina estava em um cômodo sujo, sem ventilação, água ou energia.
A menor também apresentava sinais de desnutrição extrema e não teria acesso a
banheiro.
A criança estava
na casa onde morava a mãe, Maria Charlene, e o padastro, conhecido como “Flecha”.
O casal seria usuário de drogas, foi preso em flagrante e vai ser indiciado por
abandono afetivo, maus tratos e cárcere privado. A polícia já pediu à Justiça a
conversão da prisão em flagrante em preventiva.
Segundo o delegado
de Uruçuí, Matheus Zanata, o flagrante só ocorreu porque a Justiça expediu um
mandado de busca e apreensão na casa onde vivia a criança. Ao chegar no local,
os policiais perceberam que a residência não tinha sequer água ou energia
elétrica.
“Com esse mandado,
fomos à casa e encontramos essa criança num cômodo pequeno, muito sujo, pouco
arejado, vivendo de forma totalmente desumana. Já colhi o depoimento da mãe e
do padastro, e eles relataram que são usuários de drogas. Pegamos a criança e
imediatamente a levamos para o hospital. Ela estava muito suja, desnutrida.
Agora ela está tendo e terá os cuidados necessários, dignos para uma criança”, disse,
citando que o caso chocou os moradores da pacata cidade, na divisa com o
Maranhão.
Segundo o
delegado, a suspeita é que a criança tenha vivido na condição de abandono desde
que nasceu, já que nunca foi vista por moradores. “Acredito que ela sempre viveu
assim, não tenho certeza. Interroguei um vizinho, e ele informou que nem os
moradores sabiam que eles viviam nesse estado. Ninguém pensava que havia uma
criança nessa situação, em pleno centro da cidade”, contou.
Com o resgate, a
criança passará a ser acompanhada pelo Conselho Tutelar, psicólogo, assistente
social e médico. “Graças a Deus que houve esse mandado de busca, o que resultou
nesse resgate. Naquela condição desumana, a criança poderia morrer nos próximos
dias”, contou Zanata.
Ainda segundo o
delegado, em depoimento a mãe alegou que mantinha a criança no pequeno cômodo onde
apenas havia um colchão, sem janelas porque “a criança queria ficar acordada à
noite e não a deixava dormir”. O casal não tem advogado constituído e deve ser
apoiado por um defensor público.
Por: Carlos Madeiro
Para: UOL, em Maceió
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