A duas semanas das eleições, entre os principais candidatos à Presidência, só Marina Silva apresentou um programa de governo para o país
Faltando duas semanas para a abertura das urnas, as eleições presidenciais deste ano apresentam uma situação inusitada na história democrática recente do país: os dois principais candidatos à Presidência ainda não apresentaram seus programas de governo aos eleitores. O que se sabe até agora das propostas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) são promessas avulsas feitas em discursos, entrevistas, debates e nos documentos de diretrizes gerais apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em julho. Entre os candidatos com posição relevante nas pesquisas, só Marina Silva (PV) publicou um documento com idéias um pouco mais organizadas para governar o país. Em 38 páginas, o impresso Juntos pelo Brasil que queremos lista propostas em diversas áreas, mas sem muitos detalhes.
É SÓ ISSO
O documento de 38 páginas com as idéias gerais de Marina Silva Mesmo as diretrizes gerais entregues ao TSE por Dilma e Serra parecem ter sido tratadas com descaso. Inicialmente, o PT havia entregue um pacote de diretrizes aprovado na convenção nacional do partido com propostas polêmicas, como taxação de grandes fortunas. Horas depois, trocaram o documento por outro sem os pontos críticos. O PSDB não fez nem isso. Para cumprir a lei, entregou dois discursos de Serra. Desde então, os dois partidos prometem apresentar um programa de governo completo. Até agora, nada.
Um dos coordenadores do programa de governo de Dilma, o deputado Moreira Franco (PMDB) diz que o documento está finalizado, mas não será divulgado para não servir de munição à oposição. ‘Há um programa pronto, que não é divulgado porque significará muito pouco. A oposição faz uma campanha de denúncias em cima de denúncias’, diz.
Na campanha de Serra, a expectativa era que seu programa de governo fosse divulgado na semana passada, mas sua assessoria informou que ‘o plano não está todo aprovado pelo candidato’. Por esse mesmo motivo, o coordenador do programa, Xico Graziano, também não dá entrevistas. Sua assessoria disse que, a pedido de Serra, ele não poderia sequer falar sobre o assunto.
DISCURSO
Serra, Marina e Dilma durante o debate da Rede TV, em São Paulo. Parte das promessas é dúbia ou evasiva
A legislação não obriga o candidato a apresentar um programa de governo completo, organizado e coerente. Nas eleições anteriores, porém, os principais candidatos detalhavam suas propostas. O cientista político David Fleischer diz que Serra e Dilma se valem de outros artifícios para impressionar os eleitores, como promessas pontuais de aumento do salário mínimo. ‘Isso demonstra que nenhum dos dois está disposto a mostrar a que veio.’
Quem quiser conhecer melhor os pensamentos de Dilma e de Serra precisará pescar falas dos dois em entrevistas, debates e outros eventos de campanha. ÉPOCA fez um levantamento de compromissos assumidos por eles dessa forma em algumas áreas (leia no quadro abaixo). Mas, sem os registros escritos, muitas promessas parecem evasivas ou rasteiras. Outras permitem mais de uma interpretação.
Em muitos casos, os candidatos adaptam o discurso aos interesses da platéia sem assumir posições firmes. Em debate na Confederação Nacional dos Municípios, os candidatos foram confrontados com questões que afetam os prefeitos. Os mais de 4 mil presentes queriam saber como os presidenciáveis garantiriam verbas para compensar a aprovação do piso nacional do magistério, medida que elevou os salários dos professores e causou impacto nos orçamentos municipais. Ninguém respondeu ao que foi perguntado: Dilma e Marina falaram sobre a importância dos professores e a necessidade de compartilhar responsabilidades entre os governos. Serra arrancou aplausos ao discursar contra quem faz ‘bondade com o chapéu alheio’.
Comportamento ainda mais estranho ocorreu quando Serra foi questionado sobre os royalties do pré-sal. A prefeitos de todo o país, ele disse exatamente aquilo que a platéia parecia querer ouvir: ‘Sou a favor de que municípios e Estados que não têm petróleo recebam os royalties’. Um mês depois, em visita ao Espírito Santo, Estado produtor de petróleo favorecido pela atual política de distribuição de royalties, Serra disse: ‘A proposta de refazer a divisão dos royalties é asfixiar Espírito Santo e Rio de Janeiro’.
Como se vê, sem um programa de governo formal, fica difícil saber quais são os compromissos reais de cada um.
VICTOR FERREIRA E ANA ARANHA, Revista Época edicão 644.
A matéria acima, nescessariamente, não expressa o meu pensamento a respeito de candidato A, B ou C. Sua divulgação limita-se à fuñçao exclusiva de informar sobre o assunto.
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