24 de setembro de 2010

FLORBELA

EU NÃO SOU DE NINGUÉM

Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há de ser luz do sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...

Há de ser Outro e Outro num momento!
Fôrça viva, brutal, em movimento,
Astros arrastando, catadupas de astros!

 *****
***
*
BLASFÊMIA

Silêncio, meu amor, não digas nada!
Cai a noite nos longes donde vim...
Tôda eu sou alma e amor, sou um jardim,
Um pátio alucinante d Granada!

Dos meus cilios a sombra enluarada,
Quando os teus olhos descem sôbre mim,
Traça tremulas hastes de jasmim
Na palidez da face extasiada!

Sou no teu rosto a luz que o alumia.
 Sou a expressão das tuas mãos de raça,
E os beijos que me dão já foram meus!

Em ti sou Glória. Altura e poesia!
E vejo-me – milagre cheio de graça!
Dentro de ti, em ti igual a Deus!...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!
Fique a vontade e volte quando quiser.
Deixe seu comentário no quadro abaixo.
Bjussss Rosélia Santos.