22 de setembro de 2010

SADY E ÁGABA

SADY E ÁGABA: A TRAGÉDIA QUE ABALOU A CAPITAL PARAIBANA



                Sady Castor, nome que lembra uma tragédia sangrenta e cruel. Aquele jovem era estudante do antigo Liceu Paraibano. Foi nos idos de 1923, no dia 22 de setembro, quente e azul celeste, enervante.
Nas proximidades do Liceu, prédio onde hoje funciona o Tribunal de Justiça do Estado, era a antiga Escola Normal
Ali estudava a mocidade feminina, vindo de todas as partes do Estado, a procura do título importante, o máximo que a mulher poderia aspirar naquela época, quando não era exceção.
Os jovens estudantes postavam-se instantes antes, do gradil do jardim fronteiro à Escola Normal para assistir a saída da moçarada em bandos, como pardais revoados.
Havia uma ordem do Diretor daquele estabelecimento para não mais permitir que os rapazes viessem esperar as suas Dulcinéias, e para isto, naquele local, postou um guarda.
Sady foi o primeiro a chegar em frente à porta por onde teria saída sua Ágaba. Recebeu de imediato a intimação arbitrária. Recusou a obedecer a voz enérgica do verdugo, que, então intimou-a a comparecer a Delegacia de Polícia; e como retrucou que não o obedecia, porque não havia cometido crime, recebeu, num abrir e fechar de olhos um tiro mortal.
Toda a população da Capital se levantara em protesto, agravada a revolta, quando, no dia seguinte, os jornais da capital, estampavam a notícia do suicídio de Ágaba Medeiros, a sua amada, que não suportando o golpe terrível, pôs termo a sua existência.
Para aumentar ainda mais o clima de comoção, um periódico que se fazia editar na capital paraibana, estampou em primeira página uma carta, escrita por Ágaba pouco antes de morrer e endereçada a sua futura ex-sogra (mãe de Sady). Ei-la:

Minha mãezinha,

               Peço-vos desculpas de assim vos tratar, mas os laços que me prendiam ao vosso filhinho, permitem que assim vos trate. É lamentável dizer-vos o estado em que me acho desde o desaparecimento de meu inesquecido mui amado Sady. Peço-vos perdão de minha ousadia, mas, venho, por meio desta, dizer-vos que comungo convosco da mesma dor.
Ah! se não fosse ferir o vosso e o meu coração relataria o modo, os sentimentos daquele que tão cedo foi arrebatado do meio honrado em que vivia. Não sei por onde se acha a mala daquele que espero que Deus tenha em sua companhia; queria que vos interessásseis em mandar buscar. Resta-nos confiar na justiça da terra? Não, confiarei na Divina, pois que aquela falha e esta não falhará jamais.
Confiando no vosso coração, espero não se zangará quando esta receber.Peço-vos que abençoeis aquela que amanhã irá fazer companhia àquele que soube honrar e fazer-se honrar.
Abraçai as maninhas pela desventurada
Ágaba Medeiros”

FONTES:
ALMEIDA, Antônio Pereira de Oliveira. Os Oliveira Lêdo (I). 2 ed. Brasília: Senado Federal, 1989.
Jornal Parahyba, edição de 6 de outubro de 1923.


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