23 de setembro de 2012

O DESCASO PARA COM AS ITACOATIARAS DA PEDRA DO INGÁ NA PARAÍBA


 
As itacoatiaras são gravuras em rochas nos leitos dos rios. Até aí, fato conhecido. Porém, não se sabe o que elas querem dizer nem as motivações que as levaram a ser feitas. Segundo estudiosos, as gravuras da Pedra do Ingá foram feitas por paleoíndios, há cerca de 6.000 anos. Eles usariam substâncias alucinógenas durante rituais de produção. Alguns acreditam até que as inscrições foram feitas por extraterrestres.
 
 
A cidade de Ingá está localizada a 105 km da Capital da Paraiba, João Pessoa. Encravada no agreste paraibano, guarda um dos mais importantes achados arqueológicos do país. A Pedra do Ingá tem registros dos paleoíndios (primeiros seres humanos a povoar o Brasil) de aproximadamente 6.000 anos atrás, que fizeram gravuras em rochas e tornaram a cidade referência internacional. Quando o assunto são as itacoatiaras, as de Ingá são consideradas as mais expressivas do mundo.
Tombado pelo patrimônio histórico em 1944, o parque da Pedra do Ingá tem infraestrutura precária e acesso difícil. No local não existe um museu, a única lanchonete vive fechada e as visitações só são feitas com marcação de um guia, que leva o turista ao encontro da pedra, às margens do rio Ingá.
Em Ingá há três candidatos a prefeito disputando as eleições municipais de 2012. Contudo, nenhum usa o potencial turístico como plataforma de governo, e a Pedra do Ingá é assunto esquecido.
“Nas eleições a Pedra do Ingá não é lembrada porque é uma coisa que não traz voto. Quem visita é o estrangeiro, é o pessoal de outros estados. Como o pessoal da cidade não se interessa, nas eleições a pedra não é lembrada”, conta o historiador e guia de turismo oficial do parque, Dennis Mota.
Um casal que trabalha no parque há 24 anos reclama da prefeitura, que teria tirado deles a chave do parque, o que passou a dificultar o acesso de turistas. “Nós sempre ficamos ali cuidando de tudo, pagava até a energia. Hoje, o parque recebe pouca gente. Acabou a visitação porque não se divulga mais, não se faz melhoria, nada. Hoje, no máximo, tiramos R$ 300 por mês de lá”, diz um dos trabalhadores.
A chave do parque passou para as mãos da prefeitura após acordo com o Ministério Público.
Para a população, não há dúvidas de que a fama das pedras poderia ser usada para melhorar a vida dos moradores. Eles reclamam dos políticos que não fazem propostas. Todos os moradores ouvidos pelo UOL na cidade disseram que não existem investimentos para tornar a cidade um ponto turístico.
“É um lugar muito bonito, mas pouco preservado pela parte política, que não desenvolve um projeto de melhoria. Aos poucos, o parque vai se deteriorando”, conta uma moradora da cidade.
Já um professor, o assunto não tem a importância que merece dos candidatos. “Não percebemos nenhuma vontade política. Estamos num momento político, e não vemos nenhum candidato a prefeito ou vereador tocar no assunto. É triste para a gente. diz.
O desprezo também é percebido por outros moradores. "Até aqui não vi nenhum candidato fazer promessa. É nosso ponto turístico, mas, infelizmente, está abandonado. Os políticos vão lá, mas não fazem tudo que é preciso. Ali precisa de uma coisa que chame a atenção. Era para ter um hotel, um restaurante. A gente mesmo daqui não admira nada”, afirma um senhor aposentado da cidade.
Segundo o aposentado, a cidade também sofre com a falta de políticas públicas para os jovens. “Precisa cuidar dessa juventude. Hoje não temos uma faculdade para formar eles”, diz.
Apesar de ser cidade turística, Ingá não possui hotéis ou bons restaurantes. Parte disso pode ser explicado pela proximidade com Campina Grande (38 km), cidade-polo do agreste paraibano.
A falta de estrutura faz com que Ingá seja apenas um roteiro rápido. "A verdade é que a cidade não se movimenta com o parque. Antes, as festas de São João aconteciam aqui e aí, sim, gerava dinheiro. Hoje não se investe no turismo, não temos boas pousadas, bons restaurantes. É um ponto de visitação, mas só de passagem”, afirma o guia de turismo Dennis Motta, que é funcionário da prefeitura.
Segundo ele, a prefeitura tem interesse em fazer melhorias, com um projeto pronto, mas o terreno onde está o parque foi desapropriado apenas no papel, sem a conclusão da compra. O local ainda possui três donos, o que impede a execução das obras de melhorias.
 
 
Fonte: http://uol.com.br/
Carlos Madeiro, Fabrício Venâncio, Leandro Moraes e Noelle Marques

Obs: Houve algumas modificações no texto. O nome das pessoas foram retirados pela autora do Espaço Único. Portanto, quem desejar lê o texto original visite o endereço acima citado como fonte.

 

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