7 de junho de 2013

SECA NO NORDESTE: TENSÃO E CONFLITO ENTRE CIDADES NO SERTÃO DO CEARÁ

A disputa pela água de um açude para abastecimento colocou em pé de guerra a população de três municípios do sertão cearense. O conflito envolve os municípios de Crateús, Novo Oriente e Quiterianópolis, que lutam pela água do açude Flor do Campo, localizado em Novo Oriente.
O açude é o maior da região do sertão de Crateús e abastece hoje as cidades de Novo Oriente (por adutora) e Quiterianópolis (por carro-pipa), em situação de emergência pela seca. As duas cidades se uniram e prometem impedir, de qualquer forma, a abertura das comportas.
O governo do Estado informou que, a partir do dia 20, a água do açude deve começar a ser transposta para outro açude de Cratéus, para garantir o abastecimento daquela população. Segundo o governo, o município deve entrar em colapso no início do próximo mês.
O problema alegado pelos moradores de Novo Oriente e Quiterianópolis é que o açude tem capacidade de 111 milhões de metros cúbicos, mas está com cerca de 15% de sua capacidade 16 milhões. Desse total, 7 milhões de m³ serão liberados para Crateús, segundo o governo do Estado.
Com a transposição das águas, os moradores das duas cidades hoje abastecidas alegam que, além de haver perda de 70% do total que será retirado do açude, haverá, em breve, um desabastecimento das duas localidades.
O anúncio do governo de abertura de comportas, no mês passado, gerou uma série de protestos da população. Temendo problemas de abastecimento num futuro próximo, moradores e autoridades se reuniram e montaram o “Comitê pela Liberação da Água do Açude Flor do Campo Através se Adutora”. Uma série de manifestações está prevista.
Segundo o agrônomo Claudino Sales, a água será liberada do açude pelo leito do rio Poti. “Desse modo ocorre muita perda por infiltração, e apenas 30% do que é liberado chegará a Crateús. Queremos a liberação através de adutora, pois assim não ocorre perdas por infiltração no solo do rio que esta seco”, disse.
Diante da situação, o agrônomo explicou que os moradores estão mobilizados e vão realizar manifestações na próxima semana e levar o caso ao MP (Ministério Público Estadual), por meio de um abaixo-assinado. “Vamos fazer também uma passeata. Populares afirmam que Cogerh só tira a água do açude dessa forma [sem adutora] à força”, informou.
No município de Crateús, há uma grande expectativa pelo desfecho da novela. “A cidade está num clima muito grande de apreensão, mas confiante nos gestores do município vizinho e no conhecimento técnico do órgão do Estado e da Universidade Federal”, disse o prefeito Carlos Felipe (PCdoB).
Para Felipe, houve manipulação da informação, que gerou a revolta “Se trabalhou muito a informação politizada, e a questão emotiva da população. Veja o problema que a falta de água geraria: somos cidades vizinhas, e aqui fazemos os partos de Novo Oriente. Como vai fazer sem água? Se fala tanto em disputa no futuro pela água, e antecipamos essa guerra”, disse.
Em nota técnica enviada ao UOL nesta quinta-feira (6), a Cogerh explicou que Crateús sofre com a seca e poderia ser abastecida, emergencialmente, por três reservatórios, mas dois deles não têm mais condições de abastecimento.
“Diante desta situação, o único reservatório capaz de transferir água para garantir o abastecimento de Crateús, pelo menos até fevereiro de 2014, seria o Flor do Campo”, disse a companhia, citando que ‘não há outra alternativa viável como solução emergencial”.
Sobre o pedido de construção de uma adutora para levar a água, a Cogerh explicou que a obra não deverá ser feita. Um estudo do órgão apontou que não haveria uma economia significativa de água nesse procedimento. Segundo a companhia, 65% da água deve chegar ao açude Carnaubal, com 35% de perda.
“Um estudo mais apurado mostrou que a diferença de reserva do açude Flor do Campo no final de 2014, comparando-se a liberação através de adutora e diretamente pelo leito do rio, não é significativa, desaconselhando o investimento estimado em cerca de R$ 11 milhões para a construção da adutora”.
“As simulações mostram que a vantagem seria pequena, equivalendo ao volume de 700 mil m3 em dezembro de 2014, o que representa um ganho de apenas dois meses de reserva para o abastecimento de Novo Oriente”, informou.
Outro empecilho é tempo que a obra levaria. “Mesmo que a adutora fosse construída num prazo de 3 meses, o açude Flor do Campo ficaria sujeito, nesses meses, a uma elevada evaporação, devido a maior superfície de evaporação”.
A companhia disse que, mesmo com a transposição da água, o município de Novo Oriente deverá ter o abastecimento garantido até dezembro de 2014, mesmo com a hipótese de seca.
 
UOL.com
Carlos Madeiro

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