17 de julho de 2011

BRASÍLIA EM 51 CARTAS

Livro recupera cartas recebidas por JK durante construção de Brasília será lançado por pesquisadora em setembro.

A construção de Brasília mexeu com o imaginário dos brasileiros, que deixaram questionamentos e aspirações sobre a nova capital impressos em cartas direcionadas ao presidente que deu forma ao projeto, Juscelino Kubitschek. Com lançamento previsto para setembro, o livro “Brasília em 51 cartas” revisita parte dessas correspondências.
Em carta endereçada a JK, mulher pede audiência para discutir com o então presidente a instalação de um salão de beleza na capital em construção.
“O que aparece são expectativas de vida, curiosidades. Tem pessoa que pergunta, ‘Mas tem escola aí mesmo? Eu tenho filhos’”, conta a professora e pesquisadora da Universidade de Brasília Ivany Câmara Neiva, que organiza o livro. Ivany leu cerca de 1.500 cartas do acervo do Arquivo Público do DF para um projeto de doutorado na UnB e selecionou 41 para o livro – que reúne correspondências de 1956 a 1961. “Me interessava apenas cartas de pessoas simples. Tinha muita carta de prefeito, de autoridades, mas queria pessoas não célebres, sem acesso ao poder”, explica.
Com um misto de reverência e intimidade, parte dos remetentes pede a JK emprego, lotes e casas na nova capital. “As mãos do meu mano são grossas como casca de tatu, é honesto, tem 8 filhos para criar e sua esposa faleceu há 5 anos”, conta uma moradora de Goiânia que pede um terreno para o irmão lavrador em carta de junho de 1958.

“Sr. Dr. Juscelino, nois (sic) vem a reclamar que todos nós querem lotes”, diz uma correspondência sem data e com uma lista de oito nomes. Na mistura entre formalidade e informalidade, JK é chamado de “nosso querido presidente” e de “magestade”.

Ivany destaca que a maior parte dos remetentes via a nova capital como uma cidade onde seria possível recomeçar. “De formas diferentes, aparece uma ideia que era a de ‘Presidente, você está construindo a capital do meu país. Eu sou brasileiro, então tem espaço para mim?”, afirma a pesquisadora.
Carta escrita por estudante de São Paulo, que escolheu fazer trabalho sobre Brasília, mas reclama da falta de informações sobre a cidade nas bibliotecas do estado.

Há cartas com pedidos de informações sobre a construção da nova capital para os mais diversos fins. “Pretendo nesta carta ser breve, pois sei quão ocupado é um presidente da república”, afirma uma estudante de 9 anos que pede dados para um trabalho de geografia sobre Brasília. “Nas bibliotecas de São Paulo o material sôbre esta gigantesca obra é nulo ou então muito deficiente”, justifica.

“Queria saber de sua ex. como nosso bom chefe da nação que me explicasse a cituação (sic) da nossa capital da Brasília. Eu moro em Ceará Mirim, sou casado e tenho 5 filhos. Mas o lugar é muito atrazado (sic), conforme a cituação (sic) de Brasília eu tenho muita vontade de vir morar nesta nova capital”, diz um pequeno comerciante em carta de novembro de 1957.
As correspondências de pessoas que já moravam em Brasília antes da inauguração denotam que o cotidiano de quem veio trabalhar na construção da cidade era marcado por dificuldades.

“Não pedimos a eternidade do Núcleo, mas apenas enquanto ele durar, e somente neste tempo, um tratamento mais humano, a saber: 1. Irrigação é preferível a lama; 2. Não rede de esgoto mas pelo menos escoamento melhor pelas extremidades do Núcleo”, diz uma carta enviada pela associação de moradores do Núcleo Bandeirante em maio de 1959.

CARTAS DE ANTES E DEPOIS

Além de reunir correspondências destinadas a JK e familiares e ao presidente da Novacap na época, Israel Pinheiro, o livro traz cinco cartas atuais e cinco escritas na década de 40 pelos avós de Ivany, que integraram uma das expedições de estudo sobre onde a nova capital deveria ser construída. “Em uma dessas comissões, que foi entre 1947 e 1948, meu avô participou como agrônomo. Minha avó veio também, foi a única mulher na comissão”, afirma.
Na avaliação da pesquisadora, a seleção de cartas com relatos de desde antes da construção de Brasília e depoimentos atuais traça um panorama histórico de uma cidade que ainda está em construção.
“Para a geração pós-64, talvez a imagem que venha de Brasília seja a que domina agora na mídia, de ilha da fantasia, corrupção e desvio de verbas. Uma das ideias [da tese] era mostrar que, quando se anunciava o projeto de construção, Brasília era vista como o lugar onde todos os brasileiros poderiam caber”, diz.

Fonte: http://g1.globo.com/
 

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