4 de setembro de 2011

ARQUEOLÓGIA: NOVAS DESCOBERTAS SOBRE A ODONTOLOGIA

Na atualidade, fica difícil imaginar que, há quase 10 mil anos, o homem já se submetia a algum tipo de intervenção odontológica.
Mas, descobertas recentes apresentadas por uma equipe de arqueólogos e antropólogos da França, revelaram que aldeões paquistaneses que viveram há 9.500 anos, durante o período Neolítico (que se iniciou com a agricultura), usavam brocas de pedras para abrir buracos nos próprios dentes.
O estudo, apresentado na Revista Nature, em abril deste ano, diz que a descoberta é fruto de escavações na região de Mehrgarh, no Paquistão, onde foram encontrados restos de homens e mulheres com uma ou mais intervenções nos molares. Os dentes descobertos apresentavam perfurações de milímetros, aparentemente feitas com brocas de pedra sobre o esmalte das peças. Os descobridores dos dentes perfurados e dos artefatos escreveram no artigo da revista que trata-se do primeiro registro de uma atividade que pode ser chamada de "odontológica".
O pesquisador italiano Roberto Macchiarelli, que trabalha na Universidade de Poitiers, na França, explicou no artigo da revista que, em alguns casos, foi detectada uma relação direta entre cáries e as aberturas na coroa dentária, enquanto que em outros restos isso não é tão evidente. O que complica a interpretação é o desgaste dos dentes ao longo do tempo, muito acentuado nas populações do período Neolítico. Há indícios de que um tipo de "massa" dentária de origem vegetal tenha sido utilizada ou, em alguns casos, o betume (material parecido com o petróleo usado na produção do asfalto).
Os pesquisadores chegaram a simular o procedimento "odontológico", no qual as brocas de pedra eram amarradas a arcos de madeira. Estes eram movimentados rapidamente para abrir os buracos. Uma das arcadas encontradas pela equipe apresentava não só perfurações, mas também "obturações". Era um modo totalmente precário e extremamente dolorido, que chegou a ser comparado à tortura pelos pesquisadores. Tal prática foi abandonada cerca de 6.500 anos atrás e ainda não se descobriu o porquê.
Os primeiros indícios da "prática odontológica" aconteceram ainda na pré-história, com as primeiras dores de dente. As práticas eram bem rudimentares e puramente instintivas, mas são verdadeiras e comprovadas cientificamente. A maioria dos pesquisadores e livros históricos afirma que a Odontologia nasceu na Mesopotâmia, ganhou o Egito, correu o Mediterrâneo chegando até a Grécia e depois Roma, seguiu pela Península Ibérica, chegou à França, Alemanha e Inglaterra até que transpôs o Oceano Atlântico e ganhou a América.
Pesquisas mostram que as primeiras civilizações da Mesopotâmia, alocadas entre os rios Tigre e Eufrates, foram as primeiras a mencionar um verme responsável pela destruição das estruturas dentárias. Essas civilizações conheciam os mesmos processos cariosos e periodontais que existem hoje. Só que na época, eram confundidas como uma única manifestação patológica: a dor dos molares. Nas inscrições existentes da época encontraram-se gravadas a oração e a fórmula para destruir o tal verme dentário, tido como uma encarnação do demônio do mal que corroía e destruía os dentes.
Tais escrituras deveriam ser levadas à oração como parte essencial ao tratamento.
A lenda do "verme do mal" não só evoluiu como se transformou em verdade científica ao longo dos séculos, confirmada por escritores e especialistas - a "famosa" cárie.
As primeiras documentações terapêuticas sobre as infecções da cavidade bucal são encontradas nos papiros egípcios e se referem ao uso analgésico do incenso, da mandrágora e do meimendro. Para dentes com mobilidade e cariados, recomendava-se massagear a gengiva até fazê-la sangrar. Entre os índios peruanos, era comum o hábito de mascar a coca e cuspir em cima da ferida, produzindo a anestesia local, a fim de diminuir a dor no local da lesão. Um instrumento para a higiene bucal muito conhecido e amplamente utilizado é a escova de dente. Em sua forma primitiva, foi usada na Índia e na América Latina, na forma de ramos de arbustos com aproximadamente 20 centímetros de comprimento, que eram mastigados e pareciam pincéis.
Apesar das enfermidades da época serem as mesmas das dos dias de hoje, as cáries tornaram-se mais freqüentes à medida que a dieta primitiva de carnes e vegetais duros foi sendo substituída pelos alimentos mais refinados e açucarados.

uol.com.br/

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